
Barriga estufada, gases, fadiga constante, alterações de humor, acne e dificuldade para perder peso. Esses sintomas aparecem com frequência nas redes sociais associados à disbiose. No entanto, especialistas alertam que o autodiagnóstico pode atrasar a descoberta da verdadeira causa do problema e até levar ao uso inadequado de suplementos e dietas restritivas.
O que é disbiose?
A disbiose ocorre quando há um desequilíbrio na microbiota intestinal, formada por trilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem naturalmente no intestino. Além de ajudar na digestão, essa microbiota participa do funcionamento do sistema imunológico e da saúde do organismo.
Segundo Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, alimentação, estresse, medicamentos, qualidade do sono e hábitos de vida podem modificar esse equilíbrio. Por isso, apenas a presença de sintomas não confirma o diagnóstico.
“É comum que muitas pessoas associem inchaço ou alterações intestinais à disbiose porque se identificaram com conteúdos publicados nas redes sociais. No entanto, esses sintomas podem ter inúmeras causas”, explica a especialista.
Nem todo desconforto indica disbiose
A nutricionista alerta que iniciar tratamentos por conta própria pode trazer riscos. Além disso, o uso indiscriminado de probióticos ou dietas muito restritivas pode atrasar o diagnóstico correto.
Segundo Bruna, a avaliação clínica deve considerar o histórico de saúde, os hábitos de vida e outros fatores antes da solicitação de exames complementares.
Sintomas que merecem investigação
Embora desconfortos digestivos ocasionais sejam comuns, alguns sinais exigem atenção, principalmente quando persistem por semanas ou prejudicam a qualidade de vida.
Entre os principais sintomas estão:
- Distensão abdominal frequente;
- Alterações persistentes do funcionamento intestinal;
- Dor abdominal recorrente;
- Perda de peso sem explicação;
- Presença de sangue nas fezes;
- Sintomas que permanecem mesmo após mudanças na alimentação.
Além disso, a especialista orienta procurar atendimento médico quando houver dor intensa ou alterações persistentes.
Como cuidar da microbiota intestinal
Segundo Bruna Makluf, os hábitos diários continuam sendo a melhor forma de preservar a saúde intestinal. Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, fibras e grãos integrais favorece o equilíbrio da microbiota.
Além disso, praticar atividade física, dormir bem, controlar o estresse e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados também ajudam a manter o intestino saudável.
“A ideia de que existe um alimento ou suplemento capaz de resolver sozinho qualquer alteração intestinal não corresponde ao que a ciência demonstra atualmente. O intestino responde ao conjunto dos hábitos”, destaca a nutricionista.
Antes de pensar em disbiose
Antes de concluir que sofre de disbiose, especialistas recomendam alguns cuidados:
- Evite fazer autodiagnóstico com base em informações das redes sociais;
- Não utilize probióticos ou suplementos sem orientação profissional;
- Observe se os sintomas são frequentes ou apenas ocasionais;
- Procure avaliação médica quando houver dor intensa, sangue nas fezes ou perda de peso sem explicação;
- Lembre-se de que alimentação, sono, estresse e medicamentos influenciam diretamente a saúde intestinal.










