
Por: Grasieli Ravera
A professora universitária Juliana Maria Zuccolotto foi condenada pelo crime de racismo após declarações discriminatórias feitas durante uma aula em uma faculdade particular de Vitória, em junho de 2022. A Justiça aplicou pena de um ano e nove meses de reclusão. No entanto, a decisão converteu a punição em prestação de serviços comunitários e pagamento de indenização equivalente a cinco salários mínimos para a estudante vítima das ofensas.
O caso aconteceu durante uma aula do curso de Design de Moda. Na ocasião, estudantes apresentavam trabalhos sobre formas de vestir e estereótipos ligados a diferentes culturas. Depois disso, a aluna Carolina Bittencourt relatou o episódio nas redes sociais, o que gerou forte repercussão.
Falas ocorreram durante apresentação de trabalho
Segundo a decisão judicial, uma estudante apresentava slides com fotografias de jovens negros moradores de periferia usando camisas de times de futebol, bermudas, chinelos e cordões. Durante a exposição, a aluna comentou que as tatuagens apareciam naquele contexto como um acessório comum.
Em seguida, a professora pediu que os alunos tatuados levantassem as mãos. Carolina e outros estudantes atenderam ao pedido. Conforme consta na sentença, a docente olhou diretamente para a estudante e afirmou:
“A origem da tatuagem é de presidiário. Acho ridículo, principalmente em peles negras, pois parece que a pele está encardida.”
Logo depois, segundo os autos, a professora também declarou:
“Quem tem pele marcada é escravo e eu não sou escrava para ter pele marcada.”
Além disso, a sentença aponta que a docente questionou outra estudante sobre se ela teria coragem de namorar um dos jovens negros e moradores de periferia exibidos nas imagens do trabalho.
Estudantes denunciaram caso após aula
Constrangida, a estudante respondeu que sim e tentou continuar a apresentação. No entanto, conforme os autos do processo, a professora seguiu com comentários discriminatórios e afirmou que não gostava da cultura de “pobres e favelados”, mas preferia a “cultura europeia”.
Diante da situação, Carolina e outra estudante negra deixaram a sala e procuraram a coordenação da instituição para denunciar o caso. Ainda de acordo com a decisão, o coordenador do curso teria minimizado a gravidade da situação.
Depois disso, a estudante acionou a Polícia Militar, que compareceu à faculdade. Os policiais conversaram com representantes da instituição, estudantes e integrantes da assessoria jurídica.

Segundo os autos, funcionários tentaram convencer a vítima a não registrar a ocorrência policial. Ainda naquele dia, a polícia autuou a professora em flagrante por injúria racial. Entretanto, ela deixou a delegacia após pagamento de fiança.
MPES alterou acusação para crime de racismo
Durante o andamento do processo, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) entendeu que as declarações ultrapassaram a esfera individual da vítima e atingiram toda a coletividade negra. Por isso, o órgão alterou a acusação para o crime de racismo.
Em depoimento à Justiça, a professora negou ter cometido racismo e afirmou que não teve intenção de ofender os estudantes.
A reportagem tenta contato com a defesa da docente. O espaço segue aberto para manifestações.
Faculdade afirma que professora não faz mais parte do quadro
Em nota, a Faesa informou que repudia qualquer prática discriminatória ou preconceituosa. Além disso, a instituição destacou que adotou todas as medidas cabíveis à época do caso.
“A instituição esclarece que o episódio teve caráter isolado. A docente mencionada não integra mais o quadro da instituição desde o ocorrido”, informou.
A faculdade também ressaltou que mantém políticas permanentes de acolhimento, integridade acadêmica e convivência respeitosa, além de canais formais de atendimento para a comunidade acadêmica.










