
Os brasileiros passaram a apontar o Judiciário como a principal ameaça à democracia. A constatação aparece em pesquisa divulgada nesta quarta-feira (8), realizada pelo Canal Meio em parceria com a consultoria Ideia.
O levantamento mostra que 42,5% dos entrevistados enxergam a concentração de poder no Judiciário como o maior risco ao regime democrático. Com isso, o estudo evidencia uma mudança relevante na percepção pública, que antes priorizava a corrupção como principal preocupação.
Hoje, apenas 16,5% dos participantes consideram a corrupção de políticos como a maior ameaça. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com temas como ativismo judicial, excesso de poder institucional e desequilíbrio entre os poderes.
Ainda assim, a própria pesquisa alerta para a necessidade de cautela. Os responsáveis pelo estudo formularam a pergunta com foco específico em ameaças à democracia, e não sobre os principais problemas do país. Em outros levantamentos, a corrupção ainda aparece com maior destaque.
Além disso, os entrevistados também citaram outros fatores. A polarização entre esquerda e direita aparece com 13%. Em seguida, surgem desinformação e fake news (9,7%) e influência de outros países nas eleições (9,1%). Por outro lado, 4,3% afirmaram que a democracia não enfrenta ameaças, enquanto 4,7% não souberam ou preferiram não responder.
Mudança no papel do Judiciário
Os dados indicam uma inversão na forma como parte da população enxerga o Judiciário. Historicamente, o eleitor via o poder como garantidor da Constituição e peça-chave no combate à corrupção. Agora, uma parcela significativa passa a associá-lo a um possível risco institucional.
Esse novo olhar pode impactar diretamente o cenário político. A percepção negativa tende a influenciar o debate eleitoral e pode reduzir a confiança em decisões judiciais.
Ao mesmo tempo, o tema já mobiliza lideranças políticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação com o impacto de críticas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a oposição pode explorar o assunto, principalmente nas eleições para o Senado.
Impactos nas eleições de 2026
A pesquisa reforça que o tema deve ganhar força nas eleições de 2026. A disputa pelo Senado deve concentrar parte desse debate, já que os senadores analisam eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF.
Além disso, o levantamento indica um eleitor mais atento à estrutura institucional do país. Em vez de focar apenas em casos individuais de corrupção, muitos brasileiros passam a observar o funcionamento e o equilíbrio entre os poderes.
A pesquisa ocorreu entre os dias 3 e 7 de abril e ouviu 1.500 pessoas em todo o país. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00605/2026-BRASIL.
Fonte: JOTA










