
Município aponta irregularidades ambientais, sanitárias e urbanísticas em área ocupada desde o fim de maio.
A Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim acionou o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e pediu medidas judiciais para a desocupação imediata de uma área invadida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no município.
A ocupação acontece desde o dia 29 de maio em um terreno localizado às margens da Rodovia ES-482, conhecida como Engenheiro Fabiano Vivacqua, na localidade da Tijuca.
Além disso, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) protocolou uma Notícia de Fato solicitando abertura de investigação e adoção de medidas judiciais relacionadas ao caso.
Prefeitura aponta série de irregularidades
Segundo a representação assinada pelo procurador-geral Luiz Carlos Zanon da Silva Junior, a situação ultrapassa a disputa sobre a propriedade da área.
De acordo com a Prefeitura, fiscais municipais identificaram irregularidades urbanísticas, ambientais, sanitárias e riscos ligados à segurança pública.
Além disso, equipes das secretarias de Obras, Meio Ambiente e Vigilância Sanitária realizaram uma vistoria técnica no local e encontraram dezenas de lotes improvisados, barracas de lona e abertura de caminhos internos sem autorização.
Área teria risco ambiental e estrutural
O relatório técnico também aponta risco estrutural nas construções improvisadas feitas no terreno.
Segundo a Prefeitura, os ocupantes utilizam materiais reaproveitados, sem fundações adequadas e em áreas consideradas instáveis.
Além disso, fiscais identificaram avanço da ocupação sobre Área de Preservação Permanente (APP) nas margens do Rio Itapemirim.
O município também relatou indícios de supressão de vegetação nativa e degradação ambiental em área protegida pela legislação federal.
Município cita problemas sanitários e furto de energia
Durante a vistoria, técnicos identificaram ausência de rede de esgoto, descarte irregular de dejetos e formação de depósitos improvisados de lixo.
Segundo a Prefeitura, a situação pode favorecer proliferação de doenças e contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Além disso, fiscais encontraram ligações clandestinas de energia elétrica espalhadas pela área ocupada.
De acordo com o relatório, a rede improvisada aumenta o risco de incêndios devido à proximidade das barracas e ao uso de materiais inflamáveis.
Prefeitura pede ação judicial e retirada dos invasores
Diante da situação, a Procuradoria-Geral do Município solicitou ao MPES:
- Instauração de Inquérito Civil;
- Ajuizamento de Ação Civil Pública;
- Concessão de liminar para impedir novas construções;
- Suspensão de desmatamentos e intervenções na área;
- Desocupação integral do terreno.
Além disso, a Prefeitura pediu responsabilização dos organizadores da invasão por possíveis crimes ambientais, urbanísticos e furto de energia elétrica.
Disputa judicial envolve Incra e proprietário
A área ocupada possui cerca de 60 mil metros quadrados e também é alvo de disputa judicial entre o proprietário do imóvel e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Segundo a defesa do dono do terreno, o imóvel possui registro imobiliário desde 1945, foi adquirido em leilão público em 2011 e mantém tributos municipais regularizados.
Por outro lado, o Incra sustenta que a área integra o Projeto de Assentamento Nova Safra, criado em 1998 em Itapemirim.
Prefeitura afirma que área pertence à zona urbana
Apesar da disputa judicial, a Prefeitura afirma que o terreno fica em área urbana de Cachoeiro de Itapemirim.
Segundo o município, o Plano Diretor classifica o local como Zona de Desenvolvimento Estruturante 1 (ZDE 1), destinada a atividades industriais e logísticas.
Além disso, o mérito da ação sobre a posse definitiva do imóvel ainda não recebeu decisão final da Justiça.
Estado aguarda decisão judicial para agir
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que mobilizou a Polícia Militar para eventual atuação na área.
No entanto, a entrada das forças policiais depende de autorização judicial, que ainda não foi concedida.
Enquanto isso, a Prefeitura também solicitou apoio da rede de assistência social para preparar acolhimento às famílias caso a Justiça determine a retirada dos ocupantes.











