
Justiça autoriza reabertura parcial deA Justiça de São Paulo autorizou a reabertura parcial da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na zona leste da capital paulista. O estabelecimento estava interditado desde o dia 8 de fevereiro, após um vazamento de gás tóxico na piscina provocar a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, além da internação de outras sete pessoas.
A decisão da 16ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo permite apenas o funcionamento das chamadas “áreas secas” da academia. Enquanto isso, a piscina continua interditada pelas autoridades.
Além disso, a Polícia Civil indiciou os três sócios-proprietários da academia Cézar Augusto Miquelof Terração, César Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz por homicídio com dolo eventual e por expor a vida e a saúde de outras pessoas a perigo.
Apesar disso, a Justiça negou o pedido de prisão temporária solicitado pelos investigadores.
Professora passou mal durante aula de natação
O caso aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2026, durante uma aula de natação na academia.
Segundo as investigações, Juliana Faustino Bassetto e o marido começaram a sentir mal-estar e dificuldades respiratórias enquanto nadavam na piscina.
Logo depois, os dois avisaram o professor responsável e seguiram por conta própria para o Hospital Santa Helena, em Santo André, na Grande São Paulo.
No entanto, Juliana sofreu uma parada cardíaca e morreu. Já o marido da vítima permaneceu internado em estado grave.
Além disso, outros alunos também apresentaram sintomas severos de intoxicação. Um adolescente precisou de atendimento urgente no Hospital Vila Alpina após sofrer insuficiência respiratória aguda.
Investigações apontam falhas graves na academia
As investigações da Polícia Civil e as inspeções realizadas por órgãos municipais apontaram falhas graves no armazenamento e no manuseio de produtos químicos utilizados na piscina.
Segundo os laudos preliminares, funcionários armazenavam produtos químicos em uma sala pequena, de aproximadamente 2 metros quadrados, com recipientes colocados diretamente no chão.
Além disso, técnicos encontraram um balde aberto com uma mistura líquida rosada contendo alta concentração de hipoclorito, substância usada na composição do cloro.
Imagens de câmeras internas também mostraram que Juliana nadava na raia mais próxima do local onde os produtos químicos permaneciam armazenados.
Academia operava com irregularidades
Durante as inspeções, equipes da Vigilância Sanitária e da Subprefeitura de Vila Prudente identificaram outras irregularidades administrativas e operacionais na academia.
Segundo a investigação, o alvará de funcionamento do estabelecimento estava vencido. Além disso, um dos proprietários confirmou em depoimento que o manobrista da academia realizava o manuseio do cloro e de outros produtos químicos, mesmo sem capacitação técnica.
Outro ponto que chamou atenção dos técnicos envolveu o forte cheiro de cloro no prédio. Cinco dias após a interdição, profissionais da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) ainda sentiram o odor do lado de fora do imóvel.
Família cobra respostas sobre morte da professora
A mãe de Juliana, Nivea Bassetto, criticou a demora na conclusão do laudo definitivo do Instituto Médico Legal (IML). Segundo ela, a família ainda enfrenta falta de respostas sobre o caso.
“Enquanto isso, nossa família segue enfrentando o silêncio, a demora e a ausência de esclarecimentos”, afirmou.
Uma análise preliminar apontou danos graves no cérebro, pulmões, fígado e rins da jovem. No entanto, peritos ainda aguardam exames toxicológicos complementares para concluir o documento oficial.
Agora, o caso segue sob investigação do 42º Distrito Policial do Parque São Lucas, com acompanhamento do Departamento de Inquéritos Policiais (DIPO).
Em nota oficial divulgada após o episódio, a direção da C4 Gym afirmou que lamenta profundamente o ocorrido e informou que colabora com as autoridades responsáveis pela investigação.










