Procrastinação: o que diz a psicologia sobre o hábito de adiar tarefas

Hábito de adiar tarefas vai além da preguiça, envolve emoções, ansiedade e pode impactar desempenho e saúde mental

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 04 30t081943 889
Procrastinação vai além da preguiça: o hábito de adiar tarefas está ligado à ansiedade e pode impactar a produtividade e a saúde mental - Foto: Divulgação

Deixar para amanhã aquilo que poderia ser feito hoje parece inofensivo. Um conserto em casa, um relatório do trabalho ou o início de um curso são exemplos comuns. No entanto, o hábito de adiar tarefas importantes, conhecido como procrastinação, pode gerar ansiedade, frustração e sofrimento.

Pesquisas mostram que duas em cada dez pessoas procrastinam com frequência. Entre estudantes do ensino médio e universitários, esse número chega a cerca de 70%.

procrastinação faz parte da rotina de muitos

Com humor e sinceridade, um relato comum resume o problema: produzir apenas quando o prazo já acabou.

“Eu sei o que eu tenho que fazer, eu tenho tempo pra fazer, eu não faço. Até que eu não tenho mais tempo. Aí eu faço e faço mal”, conta.

Além disso, o comportamento gera um peso constante. Mesmo sem iniciar a tarefa, ela ocupa espaço mental.

“Durante 29 dias, eu acordo lembrando o que eu tenho que fazer. E quanto mais o tempo passa, mais pesada fica a sensação”, diz.

Não é preguiça, mas resposta emocional

Especialistas explicam que a procrastinação não está ligada à preguiça. Na verdade, ela surge como forma de evitar emoções negativas.

Medo de falhar, de não ser suficiente ou de ser julgado ativa mecanismos de ansiedade no cérebro.

“A procrastinação é o comportamento de adiar algo mesmo sabendo que isso terá consequências negativas”, explica uma psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da USP.

Além disso, o cérebro tenta fugir do desconforto imediato, mesmo que isso gere prejuízos depois.

Dopamina influencia o comportamento

Nesse processo, a dopamina tem papel central. Esse neurotransmissor está ligado ao sistema de recompensa.

Atividades prazerosas oferecem retorno imediato. Por outro lado, tarefas difíceis não trazem gratificação rápida.

Por isso, o cérebro tende a escolher o que dá prazer na hora.

“Quando fico na autocrítica, ativando o medo, meu cérebro quer evitar essa sensação. Não é que eu não queira fazer. Eu quero. Mas vou adiando”, explica a especialista.

Quando vira um problema

Adiar tarefas ocasionalmente é comum. No entanto, o alerta surge quando o comportamento se repete com frequência.

Isso pode gerar prazos perdidos, queda no desempenho e impacto na autoestima.

“Se a pessoa passa a ser conhecida como quem nunca entrega, aí vira um problema que precisa ser investigado”, afirma a psicóloga.

A vontade vem depois do início

Um dos principais aprendizados é direto: não adianta esperar vontade para começar.

“A vontade não vem antes de começar. Ela vem depois”, afirma Felca, citando o livro A Guerra da Arte, de Steven Pressfield.

Por isso, especialistas recomendam começar pequeno. Alguns minutos por dia já fazem diferença.

Escrever uma página, estudar meia hora ou realizar uma tarefa simples já ajudam.

“Não importa se ficar ruim. O importante é começar”, resume.

Isso vai fechar em 7 segundos