
A tradicional Fábrica de Pios Maurílio Coelho, localizada em Cachoeiro de Itapemirim, segue mantendo viva uma das expressões artesanais mais antigas e simbólicas do Espírito Santo. Fundada oficialmente em 1903, na Ilha da Boa Esperança, a fábrica atravessa gerações preservando técnicas artesanais que se transformaram em patrimônio cultural da cidade.
A história começou após o contato de Maurílio Coelho com indígenas Puris, que confeccionavam pios de bambu e taquara. A partir dessa influência, ele passou a desenvolver novos modelos utilizando madeiras de lei, chifre, ossos e metais. Com o passar dos anos, o artesanato ganhou reconhecimento nacional e internacional.
Atualmente, a fábrica está sob o comando de Fábio Coelho, bisneto do fundador. Além disso, ele mantém viva a tradição familiar e preserva o processo artesanal iniciado há mais de um século.

Produção artesanal exige técnica e sensibilidade
Cada pio produzido na fábrica passa por diversas etapas manuais. Entre elas estão:
- seleção da madeira;
- corte;
- furação;
- modelagem;
- acabamento;
- afinação sonora;
- polimento com cera natural.
Segundo os responsáveis, a fabricação exige precisão, experiência e sensibilidade auditiva para reproduzir sons fiéis ao canto das aves. Além disso, muitos detalhes continuam sendo feitos manualmente, garantindo identidade própria a cada peça produzida.
Enquanto alguns modelos possuem finalidade musical, outros são utilizados em práticas culturais, observação de aves e até rituais ancestrais. Entre os mais procurados estão os pios utilizados para sabiás, perdizes e juritis, além do conhecido “pio do samba”.
Espaço recebe turistas e visitantes de vários estados
Ao longo das décadas, a fábrica passou a integrar o roteiro cultural de Cachoeiro de Itapemirim. Dessa forma, escolas, turistas, pesquisadores e admiradores da cultura popular visitam o espaço para acompanhar parte do processo artesanal e participar da tradicional “piação”.
Além disso, visitantes estrangeiros também demonstram interesse pelo trabalho desenvolvido na fábrica, principalmente durante eventos como a Cachoeiro Stone Fair. Muitos empresários do setor de rochas ornamentais costumam presentear clientes com estojos de pios artesanais produzidos no município.
Ao mesmo tempo, o espaço fortalece o turismo cultural e ajuda a preservar parte importante da memória histórica cachoeirense.
Tradição familiar atravessa gerações
Mesmo diante das transformações tecnológicas e culturais, a fábrica preserva características originais desde sua fundação.
Além disso, o espaço continua incentivando jovens a conhecerem o artesanato tradicional. Segundo Fábio Coelho, o trabalho artesanal ajuda no desenvolvimento de habilidades importantes e ainda pode transformar materiais recicláveis em produtos de alto valor agregado.
Por isso, o artesão defende maior valorização do setor por meio de incentivos públicos, melhorias na acessibilidade turística e ampliação de parcerias com instituições de ensino.
Legado cultural emociona visitantes
Para a família Coelho, manter viva a tradição iniciada por Maurílio representa orgulho, responsabilidade e preservação cultural.
“Ver o reconhecimento do público, receber visitantes de diferentes lugares e saber que essa tradição continua inspirando novas gerações é motivo de muita gratidão”, destacou Fábio Coelho durante entrevista ao Folha do ES.
Atualmente, a família também acompanha a expectativa pelas obras da Ilha da Luz, espaço histórico ligado à trajetória da fábrica e à memória cultural de Cachoeiro.












