
O diabetes está entre as doenças crônicas que mais crescem no Brasil. Entre 2006 e 2024, o percentual de adultos com a doença passou de 5,5% para 12,9%, um aumento de 135%, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, muitas pessoas convivem com a doença sem perceber os sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações.
Em Minas Gerais, por exemplo, a Secretaria de Estado de Saúde registrou mais de 3,5 milhões de atendimentos relacionados ao diabetes e às suas complicações em 2025. Entre elas, estão infarto, insuficiência renal e doenças cardiovasculares provocadas pelo excesso de glicose no sangue.
Diabetes pode evoluir sem sintomas
De acordo com a médica clínica geral Milena Fraga, do AmorSaúde, o diabetes tipo 2 costuma evoluir de forma silenciosa.
“Os níveis elevados de glicose podem permanecer por anos sem causar sintomas perceptíveis. Por isso, muitos pacientes descobrem a doença apenas quando já apresentam complicações”, explica a especialista.
Conheça os principais tipos de diabetes
Embora todos provoquem aumento da glicose no sangue, os tipos de diabetes possuem causas diferentes.
- Diabetes tipo 1: geralmente surge na infância ou adolescência e ocorre quando o sistema imunológico destrói as células que produzem insulina.
- Já o diabetes tipo 2: representa cerca de 90% dos casos no Brasil. Nesse caso, o organismo produz insulina, mas não consegue utilizá-la corretamente.
- Além disso, existe o diabetes gestacional, que aparece durante a gravidez e aumenta o risco de mãe e bebê desenvolverem diabetes tipo 2 no futuro.
- Por outro lado, o pré-diabetes funciona como um alerta. Nessa fase, a glicose está acima do normal, mas ainda não caracteriza a doença.
Sintomas merecem atenção
Embora muitas pessoas permaneçam sem sintomas, alguns sinais podem indicar alterações na glicemia.
Entre eles estão:
- aumento da sede;
- vontade frequente de urinar;
- fome excessiva;
- perda de peso sem causa aparente;
- cansaço persistente;
- visão embaçada;
- infecções frequentes;
- dificuldade na cicatrização.
Caso esses sintomas apareçam, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes.
Fatores aumentam o risco
Além disso, alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Os principais são:
- excesso de peso, principalmente na região abdominal;
- sedentarismo;
- histórico familiar;
- hipertensão arterial;
- colesterol e triglicerídeos elevados;
- tabagismo;
- idade acima de 35 anos;
- histórico de pré-diabetes;
- diabetes gestacional;
- síndrome dos ovários policísticos.
Diagnóstico precoce faz diferença
Segundo Milena Fraga, identificar a doença precocemente permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações.
Para isso, o médico pode solicitar exames como glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), teste oral de tolerância à glicose ou glicemia casual.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento em adultos a partir dos 35 anos, principalmente quando existem fatores de risco. Se os exames apresentarem resultados normais, a reavaliação costuma ocorrer a cada três anos, conforme orientação médica.
Diabetes sem controle provoca complicações
Sem tratamento adequado, o excesso de glicose provoca danos progressivos em diferentes órgãos.
Entre as principais complicações estão:
- perda da visão;
- insuficiência renal;
- lesões nos nervos;
- infarto;
- AVC;
- problemas de circulação;
- infecções frequentes;
- dificuldade na cicatrização;
- amputações em casos graves.
Além disso, a médica alerta que muitas dessas complicações começam a se desenvolver antes mesmo do diagnóstico.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Por isso, especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida reduzem significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Entre as principais medidas, estão manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, evitar o cigarro e adotar uma alimentação equilibrada.
Da mesma forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
Por fim, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados também faz diferença. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que esse padrão alimentar está relacionado a milhares de mortes todos os anos e gera impacto bilionário para o sistema de saúde brasileiro.










