
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, intensificou as negociações para firmar um acordo de delação premiada. O objetivo, segundo apuração, é tentar um habeas corpus o mais rápido possível e, assim, buscar a liberdade do empresário.
No entanto, os próprios advogados alertaram que as chances de perdão total na Justiça são praticamente nulas, mesmo com colaboração e eventual confissão de culpa. Além disso, a equipe jurídica avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve manter a prisão preventiva.
negociação enfrenta obstáculos
De acordo com as informações, a negociação para a delação ocorre sob forte pressão. Isso porque há um grande volume de provas reunidas contra o banqueiro. Ao mesmo tempo, a defesa reconhece que será necessário apresentar uma colaboração ampla, incluindo a indicação de outros envolvidos no esquema investigado.
Por outro lado, o STF tende a adotar uma postura rigorosa no caso. Dessa forma, ministros devem barrar possíveis pedidos de prisão domiciliar e exigir que Vorcaro aguarde a sentença preso.
mudança na estratégia da defesa
Diante desse cenário, o empresário decidiu alterar sua estratégia jurídica. Ele demitiu o advogado Pierpaolo Bottini, que era contrário à delação, e contratou o criminalista José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, especialista em acordos de colaboração premiada.
Além disso, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o que indica avanço nas tratativas.
Outro ponto importante foi a transferência do banqueiro. Em 19 de março, ele deixou a Penitenciária Federal de Brasília e passou para uma cela na Superintendência da Polícia Federal, na capital. A mudança, inclusive, era uma das condições impostas por ele para avançar no acordo.
entenda o caso banco master
O Banco Master ganhou destaque no mercado financeiro ao oferecer CDBs com rendimentos acima da média. Com isso, a instituição conseguiu captar cerca de R$ 50 bilhões.
Entretanto, parte significativa desses recursos foi aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e empresas em dificuldade, o que elevou os riscos da operação.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de um esquema que inclui emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e ocultação de recursos por meio de empresas intermediárias. Além disso, as investigações apontam possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção de autoridades e até tentativas de intimidação contra jornalistas.
Diante das irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025.
No mesmo período, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai. Posteriormente, ele chegou a ser solto com uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, acabou preso novamente em março deste ano durante nova fase da investigação.











