
A carne suína se consolidou como a proteína animal mais consumida do mundo, segundo dados da Embrapa. Além disso, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) aponta que o consumo da carne cresceu 34,9% no Brasil nos últimos 10 anos.
No Espírito Santo, o setor acompanha esse avanço e amplia investimentos em tecnologia, sustentabilidade e expansão industrial. Para José Carlos Correia, diretor-presidente da Cofril, a mudança no comportamento do consumidor ajudou diretamente no crescimento da suinocultura.
“Durante muito tempo existiram muitos mitos sobre a carne suína. Hoje, a ciência e os avanços na produção comprovaram que é uma proteína segura, saudável e de alta qualidade”, afirmou.
Tecnologia transformou produção suína
Segundo o empresário, a cadeia produtiva evoluiu completamente nas últimas décadas. Atualmente, granjas utilizam protocolos rígidos de biossegurança, controle sanitário e bem-estar animal.
Além disso, muitas unidades contam com sistemas automatizados de alimentação e acompanhamento técnico permanente.
Após o transporte, os animais passam por inspeções sanitárias antes e depois do abate. Em seguida, as carnes seguem para câmaras frigoríficas até atingirem a temperatura ideal para o processamento industrial.
“A tecnologia está presente praticamente em todas as etapas. Trabalhamos com equipamentos modernos que garantem padronização, eficiência e segurança alimentar”, destacou.
Na fabricação de linguiças, por exemplo, máquinas automatizadas realizam processos como pesagem, torção e padronização dos gomos.
Sustentabilidade ganha espaço na cadeia produtiva
A sustentabilidade também se tornou prioridade dentro da suinocultura moderna. Segundo José Carlos Correia, a empresa possui sistemas de tratamento de efluentes considerados referência no Espírito Santo.
Toda a água utilizada na produção passa por tratamento antes do reaproveitamento em fertirrigação de pastagens.
Além disso, resíduos gerados nas granjas produzem gás, posteriormente transformado em energia para abastecer parte das operações industriais.
“É um ciclo sustentável que une produção, reaproveitamento de recursos e redução de impactos ambientais”, explicou.
Espírito Santo ainda depende de carne de outros estados
Apesar do crescimento do setor, o Espírito Santo ainda depende fortemente de carne suína vinda de outras regiões do país, principalmente do Sul.
Segundo o diretor-presidente da Cofril, a produção capixaba ainda não consegue atender toda a demanda interna. Em 2025, por exemplo, o Estado abateu cerca de 335 mil suínos, enquanto o consumo estadual foi aproximadamente três vezes maior.
Esse cenário, segundo ele, demonstra o potencial de expansão da cadeia produtiva local.
“O mercado consumidor já existe. Agora, precisamos ampliar a produção de forma estruturada e sustentável”, afirmou.
Expansão deve gerar empregos e aumentar produção
A Cofril também prepara expansão para outros estados. A empresa passou recentemente por auditorias do Idaf e do Ministério da Agricultura para obter autorização para comercializar produtos fora do Espírito Santo.
A expectativa inclui iniciar vendas para o Rio de Janeiro e estados vizinhos nos próximos meses.
Com isso, a projeção é dobrar a produção de embutidos, saltando de cerca de 3 mil toneladas mensais para até 6 mil toneladas por mês.
Além disso, o crescimento deve impulsionar a geração de empregos, ampliar as granjas e fortalecer a agroindústria capixaba.
Perspectiva para o setor é positiva
Para o empresário, o futuro da suinocultura no Espírito Santo é promissor. O aumento do consumo, aliado aos investimentos em tecnologia e sustentabilidade, mantém o setor em ritmo de expansão.
“A demanda cresce constantemente e o consumidor já reconhece a qualidade da carne suína. O desafio agora é acompanhar esse crescimento de forma organizada e responsável”, concluiu.











