Cunhado de dono do Banco Master compra sítio de servidor do BC por R$ 3 milhões

Investigação aponta pagamentos de R$ 750 mil por ano e suspeita de ligação entre servidor do Banco Central e esquema que favoreceria banqueiro dentro da instituição.

- Foto: Divulgação

servidor do Banco Central (BC) entrou no radar de investigações federais. Documentos indicam que o pastor e empresário Fabiano Zettel pagou R$ 750 mil de entrada. Além disso, assumiu três parcelas anuais no mesmo valor para comprar um sítio que pertencia ao servidor Paulo Sergio Neves de Souza e a familiares.

A propriedade se chama Sítio Alto do Mirante. Ela fica em Juruaia, no Sul de Minas Gerais. O terreno possui 43,56 hectares, área equivalente a cerca de 60 campos de futebol. No total, a negociação chegou a R$ 3 milhões.

De acordo com a escritura, o pagamento inicial ocorreu em 13 de janeiro de 2021, no momento da assinatura do contrato. Em seguida, as demais parcelas venceram em janeiro de 2022, 2023 e 2024.

O imóvel possui plantação de café. Além disso, o sítio pertencia ao servidor do BC, à esposa dele, Lavinia Vieira Costa Monteiro, e a outro familiar.

Conexões com a família Vorcaro

A relação entre os envolvidos vai além da negociação do sítio. Enquanto Paulo Sergio Neves de Souza atuava no Banco Central, ele também mantinha proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo investigações da Polícia Federal.

Além disso, Luis Roberto aparece nas transações imobiliárias relacionadas ao servidor. Na Receita Federal, ele consta como administrador de uma empresa imobiliária ligada a Fabiano Zettel.

Compra de imóveis à vista levanta suspeitas

As investigações também apontam outra movimentação financeira. O servidor do Banco Central comprou dois terrenos e 66,6% de um prédio residencial em Guaxupé (MG). O valor total chegou a cerca de R$ 915 mil.

Segundo os documentos, um dos imóveis foi pago em dinheiro vivo. Já os outros foram quitados por transferência bancária. Em ambos os casos, o pagamento ocorreu à vista.

Além disso, Luis Roberto participou diretamente das negociações. Ele vendeu parte do prédio ao servidor. Também adquiriu os dois terrenos em conjunto com ele entre fevereiro de 2021 e setembro de 2023.

Operação da Polícia Federal

A Polícia Federal suspeita que o servidor atuava como uma espécie de “agente duplo” dentro do Banco Central. Segundo os investigadores, ele teria favorecido interesses ligados ao Banco Master.

Mensagens interceptadas reforçam essa suspeita. De acordo com a PF, o servidor prestava consultoria informal ao banqueiro. Ele fornecia orientações estratégicas sobre processos administrativos que envolviam o banco dentro da autoridade monetária.

Além disso, a investigação aponta outro ponto sensível. O servidor chegou a revisar documentos e comunicações institucionais do Banco Master destinados ao próprio Banco Central. Para os investigadores, essa prática é incompatível com a função pública que ele exercia.

Prisões e medidas cautelares

Na última quarta-feira (4), a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois disso, Vorcaro foi transferido para Brasília. Atualmente, ele permanece detido em uma penitenciária federal de segurança máxima.

Enquanto isso, o servidor do Banco Central passou a cumprir medidas cautelares. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de sair do município onde vive. Além disso, ele não pode manter contato com investigados da operação Compliance Zero.

Suspeita de enriquecimento ilícito

Paralelamente à investigação criminal conduzida pelo STF, o Banco Central abriu uma sindicância patrimonial. O objetivo é verificar se o patrimônio acumulado pelo servidor é compatível com sua renda.

A apuração começou em 8 de janeiro. Onze dias depois, o servidor deixou o cargo de confiança que ocupava na instituição.

Caso apareçam indícios de enriquecimento ilícito, o Banco Central poderá abrir um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Depois disso, o caso pode seguir para outros órgãos de controle.

Entre eles estão:

  • Ministério Público Federal (MPF)
  • Tribunal de Contas da União (TCU)
  • Controladoria-Geral da União (CGU)
  • Receita Federal
  • Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
  • Advocacia-Geral da União (AGU)

O prazo inicial da apuração é de 30 dias. No entanto, o processo pode receber prorrogações sucessivas.

Influência dentro do Banco Central

Segundo decisão do ministro André Mendonça, mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam outra suspeita. O servidor teria fornecido orientações estratégicas ao banqueiro.

Ele antecipava possíveis questionamentos e posições do Banco Central em reuniões institucionais.

Com isso, segundo os investigadores, o empresário conseguiu ampliar sua influência dentro da autoridade monetária. Além disso, as orientações ajudaram a estruturar estratégias em processos administrativos envolvendo o Banco Master.