Vítima se manifesta após condenação de cantor Bruno Mafra por estupro no Pará

Decisão da Justiça motivou relato público da vítima, que detalhou os abusos e destacou a importância da denúncia.

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- Bruno Mafra, cantor, foi condenado há 32 anos de prisão. — Foto: Victor Vidigal

Uma das vítimas do cantor Bruno Mafra se pronunciou publicamente após a confirmação da condenação do artista por estupro de vulnerável. A jovem publicou um vídeo na noite de sexta-feira (27), no qual relatou a trajetória até a decisão judicial.

O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) confirmou, de forma unânime, a condenação na última quinta-feira (26). Com isso, a Justiça manteve a pena de 32 anos de prisão em regime fechado pelos crimes cometidos entre 2007 e 2011.

Na época, as vítimas tinham 5 e 9 anos de idade.

Relato marca desabafo após condenação

Durante o vídeo, a jovem descreveu o momento como um “luto de enterrar um genitor em vida”. Além disso, destacou o longo período de busca por justiça.

Segundo ela, o processo levou anos até chegar a um desfecho. Os crimes vieram à tona em 2019. Já a primeira condenação ocorreu em 2024.

“Foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta”, afirmou.

Além disso, a vítima explicou que decidiu manter silêncio durante o andamento do processo em segunda instância. No entanto, após a confirmação da sentença, optou por tornar o relato público.

“Não é denúncia, é condenação”

A jovem também reforçou que a decisão judicial encerra a discussão sobre os fatos. Ou seja, não se trata mais de uma denúncia, mas de uma condenação confirmada.

Segundo ela, todo o material apresentado foi validado. “O que falamos, o nosso depoimento e toda análise técnica já foram considerados concretos”, declarou.

Embora ainda exista possibilidade de recurso em questões processuais, os fatos do caso não estão mais em debate.

Mensagem a outras vítimas

Durante o pronunciamento, a jovem também direcionou uma mensagem a outras vítimas de abuso. Nesse sentido, afirmou que é possível denunciar mesmo na fase adulta.

Além disso, ressaltou que muitas pessoas só conseguem compreender e enfrentar o ocorrido com o passar do tempo.

Ainda assim, mesmo após o trauma, ela afirmou que seguiu a vida. “Eu estudei, trabalhei e hoje tenho minha empresa. Ele não me paralisou”, disse.

Por fim, incentivou outras vítimas a buscarem ajuda. Segundo ela, ninguém deve se definir pelo abuso sofrido. “Existe esperança. A gente consegue seguir”, afirmou.

Defesa se posiciona

Por outro lado, a defesa de Bruno Mafra informou, em nota, que o processo ainda está em andamento e que adotará as medidas recursais cabíveis.

Além disso, os advogados alegam possíveis violações ao devido processo legal e questionam a validade de atos processuais.

Por fim, a defesa também demonstrou preocupação com a divulgação de informações de um processo que tramita sob sigilo, o que, segundo os advogados, exige cautela na divulgação.

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