Viagens de luxo: como advogado investigado gastava dinheiro de vítimas

Dinheiro de vítimas, estimado em R$ 3 milhões, teria sido usado em viagens e passeios de luxo pelo advogado suspeito

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Foto: Reprodução -

O que parecia ser apenas uma rotina de luxo e sucesso financeiro escondia, segundo a investigação, um suposto esquema milionário de golpes. O advogado Guilherme Aguiar Alves, de 35 anos, é suspeito de usar dinheiro de vítimas de “aportes jurídicos” para bancar viagens, festas e experiências de alto padrão. O prejuízo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal já chega a R$ 3 milhões.

Viagens de luxo e ostentação

De acordo com relatos de vítimas, Guilherme organizava todos os anos, no mês de setembro, viagens para o Rio de Janeiro em comemoração ao aniversário da então esposa. Além disso, ele reunia amigos próximos em hotéis, praias e festas luxuosas na capital fluminense.

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Segundo uma das vítimas, os convidados recebiam brindes personalizados preparados especialmente para os eventos. Entre os itens estavam ecobags, cangas, bonés, sungas e copos com identidade visual própria.

Além das viagens ao Rio, as redes sociais do advogado também mostravam passeios caros, como experiências para nadar com golfinhos e viagens para destinos com neve. Enquanto isso, investidores aguardavam os lucros prometidos pelo suposto esquema.

Polícia investiga prejuízo milionário

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga denúncias de pelo menos 30 vítimas, muitas delas advogados. Os registros aparecem em boletins de ocorrência feitos nas 14ª e 20ª Delegacias de Polícia, no Gama.

Segundo os investigadores, Guilherme dizia precisar de dinheiro para fechar contratos milionários ligados a escritórios de advocacia em São Paulo. Além disso, ele alegava necessidade de recursos para compra de sistemas processuais e execução de demandas judiciais.

Em troca, prometia altos lucros em poucos meses. Em alguns casos, o retorno oferecido ultrapassava o dobro do valor investido. Para aumentar a credibilidade, o investigado apresentava contratos, confissões de dívida e promessas formais de pagamento.

Além disso, algumas vítimas chegaram a receber pagamentos iniciais. Dessa forma, o advogado conquistava confiança e atraía novos investidores.

Justificativas após atrasos

Quando os pagamentos atrasavam, Guilherme apresentava diferentes explicações. Segundo os relatos, ele mencionava problemas de saúde, acidentes, crises familiares e dificuldades financeiras para justificar os atrasos.

A reportagem tentou contato com o advogado. No entanto, Guilherme afirmou que não tinha condições de responder aos questionamentos por motivos de saúde. Ainda assim, o espaço permanece aberto para futuras manifestações.

Primo policial penal relata prejuízo

Nem familiares teriam escapado do suposto esquema. Um policial penal do sistema carcerário do Distrito Federal afirmou ter perdido cerca de R$ 200 mil após confiar nas promessas do primo.

Em outro caso investigado, um advogado de 34 anos transferiu R$ 50 mil em outubro de 2025 após acreditar em um suposto investimento ligado a um escritório de São Paulo. Guilherme prometia transformar o valor em R$ 220 mil.

Depois da transferência, o investigado viajou com a vítima para São Paulo e manteve a promessa de uma reunião com sócios do escritório. Porém, o encontro nunca aconteceu.

Segundo a vítima, Guilherme afirmou que o escritório estava vazio porque um dos sócios havia morrido e todos participavam de um enterro. Após retornar para Brasília sem qualquer reunião, o advogado começou a enfrentar atrasos nos pagamentos.

Carro entregue como garantia

Outra vítima, uma moradora do Distrito Federal de 36 anos, relatou ter investido R$ 80 mil em um suposto negócio ligado à compra de um sistema de processos judiciais. O investigado prometia retorno de 100%, chegando a aproximadamente R$ 160 mil.

Inicialmente, ela recebeu seis repasses que somaram cerca de R$ 106 mil. Por isso, ganhou confiança no negócio. No entanto, os pagamentos pararam em novembro de 2025.

Para tentar garantir a dívida, Guilherme entregou um Renault Captur à vítima. Depois, porém, ela descobriu que o veículo possuía procuração de venda para outra pessoa e também tinha rastreador instalado.

Além disso, o marido dela entrou na negociação e transferiu R$ 30 mil após receber a promessa de retorno de R$ 60 mil em dois meses. Entretanto, o pagamento integral nunca aconteceu.