
O Congresso em Foco estampou a imagem do senador Flávio Bolsonaro, em evidente campanha política, ladeado por sua camarilha, avalizando o nome da deputada federal Soraya Santos (PL-RJ), em detrimento do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), como candidata a ministra do TCU.
Esse cabide de emprego público oficializado é uma vergonha nacional — e continuará sendo. Novos políticos surgem já contaminados pela lógica da corrupção e da imoralidade pública, sem qualquer disposição para corrigir as distorções constitucionais que sustentam esse sistema.
É escandaloso que o TCU e os TCEs sigam sendo alvo da cobiça de políticos e ex-políticos. Esses espaços foram transformados em locais de emprego sem concurso público e de aposentadoria privilegiada, sem exigência — de fato — de competência técnica.
Tudo isso se perpetua pela incúria ou tolerância da sociedade brasileira, que não se indigna nem exige mudanças constitucionais para acabar com esse nicho de empreguismo. Trata-se de um sistema ocupado por parlamentares que usam o mandato para tirar proveito da coisa pública.
A política deveria existir para servir à sociedade, não para servir-se dela. Os tribunais de contas deveriam ser preenchidos apenas por auditores concursados. Alguns anos de vida parlamentar não substituem a competência técnica necessária para fiscalizar e auditar contas públicas.
Quantos ex-políticos de conduta duvidosa e sem preparo já foram agraciados com cadeiras nesses tribunais? Muitos.
Há 16 anos, a comunicadora Cidinha Campos, então deputada na Alerj, já denunciava a baixa qualidade dos indicados aos tribunais de contas. Hoje, vemos exemplos como o ex-deputado federal de Roraima, Jhonatan de Jesus, eleito com apenas 19.881 votos e já ministro do TCU, enquanto seu pai, o ex-senador Messias de Jesus, foi recentemente empossado no TCE de Roraima. Ambos representam a apropriação indevida da coisa pública.
Ao assistir Flávio Bolsonaro e outros parlamentares sacripantas oficializando a indicação de uma correligionária ao tribunal de contas, fica evidente que esses políticos estão mais interessados em atender a interesses pessoais e de grupos partidários do que em trabalhar pelo bem coletivo.
Enquanto a sociedade permanecer indiferente às patifarias que ocorrem no país, os políticos seguirão sem ser cobrados, cometendo irregularidades e injustiças.










