Ser político: a grande sacada

Artigo critica a profissionalização precária da política brasileira e questiona o preparo de parte da classe política nacional.

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- Foto: IA - Folha Do ES

No Brasil, entrar para a política é quase tão fácil quanto virar coach motivacional. Não precisa de diploma, experiência ou preparo apenas uma boa dose de cara de pau. Basta acordar e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, paga bem e ainda me chamam de excelência!”.

É a profissão dos que não passaram em concurso, não tiveram coragem de abrir um negócio ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título.

Nesse cenário, surge a família Bolsonaro, usufruindo das benesses públicas e lutando com unhas e dentes para se manter no poder, sem apresentar propostas relevantes à nação. O chefe do clã, Jair Bolsonaro, condenado e impedido de concorrer; Flávio Bolsonaro, conspirando contra a pátria, enroscado com Daniel Vorcaro e sonhando com a presidência; Carlos Bolsonaro, que renunciou ao mandato de vereador no Rio de Janeiro para tentar o Senado em Santa Catarina; Renan Bolsonaro, uma coisa eleita vereador em Balneário Camboriú e já sondado para deputado federal; e Michelle Bolsonaro, sem preparo, cogitada ao Senado por Brasília.

O espetáculo político brasileiro se transforma em um verdadeiro circo mambembe, iluminado de mediocridades.

Grande parte dos que ingressam na vida pública não o fazem por idealismo ou competência, mas por conveniência. Há empresários que buscam resolver problemas particulares, aposentados e profissionais de diversas áreas que veem na política um bom cabide de emprego e oportunidade de viver das benesses públicas, além dos que não largam o osso por acreditarem ser indispensáveis.

Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida.

Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial e sobraria muito dinheiro para investimentos sociais. Ao menos a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria verba a banco para financiar filmes de familiares e não confundiria a Constituição com receita de pão de queijo.

Mas como ainda não chegamos lá, resta imaginar uma solução mais plausível: criar um curso obrigatório para políticos. Um ano de aulas intensivas de economia (spoiler: não se governa só com “fé em Deus”), ética (a disciplina mais difícil) e Constituição (não, não é manual de churrasco).

Para presidenciáveis, o currículo seria ainda mais exigente: inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras (como não dar tapinha nas costas da Rainha) e diplomacia internacional (aprender que tratados não se negociam como abacaxi na feira). Também seria necessário um curso de apresentação pessoal. Afinal, política não é capa de super-herói e faixa presidencial não é fantasia de escola de samba.

Enquanto essa profissionalização não ocorre, seguiremos elegendo figuras medíocres, mitômanos e oportunistas, reflexo não apenas da incompetência de candidatos, mas também da incapacidade do eleitorado de distinguir liderança de entretenimento.

O futuro da política brasileira depende sobretudo da maturidade de seu povo.

Júlio César Cardoso

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