O Espírito Santo sem polarização ideológica

Análise mostra como a disputa política no Espírito Santo se concentra na centro-direita, com Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini como protagonistas do cenário eleitoral capixaba.

Imagem Capa Diario

No Espírito Santo, a tão falada polarização entre direita e esquerda nunca se consolidou de verdade como em outros estados brasileiros. O cenário político capixaba segue uma lógica própria, muito mais ligada à gestão, à força regional e ao pragmatismo eleitoral do que ao confronto ideológico clássico.

Os bolsonaristas, representados principalmente pelo senador Magno Malta (PL), possuem um eleitorado fiel, porém limitado. Existe uma base consolidada que gira em torno de 15% do eleitorado.

Acompanhe as principais notícias do ES — receba grátis onde preferir!

Entretanto, quando se observa o conjunto da disputa, a rejeição ao grupo pode alcançar índices maiores dentro da divisão política estadual. Assim, embora mantenha influência e presença constante no debate público, o bolsonarismo ainda não conseguiu construir hegemonia política no Espírito Santo.

Esquerda enfraquecida

Do outro lado, a esquerda também nunca criou raízes profundas no Estado. Lideranças como o deputado federal Helder Salomão (PT), João Coser e outros nomes históricos seguem relevantes, principalmente nas eleições proporcionais e em nichos específicos do eleitorado.

Porém, o Espírito Santo ainda carrega lembranças da gestão de Victor Buaiz, entre 1985 e 1989. Para muitos analistas, aquela experiência afastou parte significativa do eleitor capixaba de projetos ligados à esquerda tradicional.

Centro-direita dominante

Na prática, o que existe hoje é uma disputa concentrada no campo da centro-direita. O governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparecem como os principais protagonistas do atual cenário eleitoral.

Caso aconteça um segundo turno, dificilmente a esquerda assumirá protagonismo em qualquer uma das candidaturas. Enquanto isso, o eleitorado identificado com a direita tende a se dividir entre os dois projetos políticos.

Ricardo Ferraço demonstra força principalmente no interior do Estado. Além disso, mantém ampla capilaridade política fora da Grande Vitória.

Já Lorenzo Pazolini concentra sua principal influência no ambiente metropolitano, especialmente em Vitória, cidade onde consolidou sua imagem administrativa e eleitoral.

Disputa regional

O caminho para uma vitória ainda no primeiro turno dependerá justamente da capacidade de cada candidato avançar sobre o território político do adversário. Quem romper sua própria bolha regional poderá construir vantagem decisiva logo na primeira etapa da eleição.

Tema ignorado

Existe, porém, um ponto curioso e praticamente silencioso em toda essa linha do tempo política capixaba.

Nenhum dos pré-candidatos ao governo abraçou de forma clara a pauta dos chamados “sequestrados políticos capixabas” de 15 de dezembro de 2022. O tema permanece esquecido no debate público estadual.

Para muitos observadores, trata-se de uma omissão relevante de quem pretende governar o Espírito Santo sob o discurso da liberdade, das garantias individuais e da defesa institucional democrática.