Dicastério da Congregação para a Doutrina da Fé instala inquisição religiosa em pleno século XXI

Autor questiona decisões do Vaticano, defende o diálogo e critica a condução da Igreja Católica diante da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

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Um fato recente despertou a atenção midiática: a sagração de quatro novos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X sem mandato pontifício. Foi, de fato, desejo sincero da referida agremiação religiosa prosseguir com o ato sem diálogo com o Papa? De modo algum.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conhecida pela sigla FSSPX, longe de quaisquer intenções de ruptura, sempre se dirigiu respeitosamente ao Santo Padre, como também, aos seus súditos através do diálogo, porém, sem negociar princípios. O que não é aceitável, do ponto de vista da práxis pastoral, é o Papa negar um direito legítimo sem nenhuma justificativa.
Paradoxalmente, durante do pontificado do Papa Francisco, foi realizado um acordo com o Partido Comunista Chinês para este gerir a Igreja Católica, ordenando novos padres e bispos. Além disso, perseguiram e chegaram a prender o Bispo Peter Shao Zhumin, que se recusou a aderir ao controle do comunismo político dentro das instâncias da Igreja. Porém, tanto o Papa Francisco, quanto o atual pontífice Papa Leão XIV, não demonstraram qualquer empatia pastoral e desejo de solucionar tamanha injustiça contra um dos seus.
Um dia após a efetiva sagração dos Bispos da FSSPX, o Cardeal Víctor Manuel “Tucho” Fernández, Prefeito do Dicastério da Congregação para a Doutrina da Fé, famoso por escrever livros paradoxos em matéria de castidade e sensualidade, como também, pela permissão de abençoar “casais gays”, realizou, na prática, o que os círculos tradicionalistas católicos já esperavam: a excomunhão automática.
Não satisfeito com a imputação da pena canônica sem nenhuma abertura ao contraditório, o Cardeal retrocede a pior parte da Idade Média e lança uma ofensiva inquisitorial contra os fiéis leigos que continuarem assistindo as Missas da FSSPX.
Através de padres e bispos diocesanos, como também, de outros institutos ligados à Roma, pretende fazê-los implorar pela “plena comunhão”, se submetendo a fazer uma nova “profissão de Fé”. Em outras palavras, está aberta a campanha de “caça às bruxas” a quem for descoberto como frequentador da FSSPX.
Mudam-se os tempos, mas o arcaico modus operandi da Igreja Católica pós-conciliar, não. Fala-se de um Concílio Vaticano II eminentemente pastoral, mas, na prática, querem o impor na base da força e da coação moral aos fiéis como se fosse um irrefutável dogma.
Por trás de toda essa manobra, se esconde o desejo insaciável de controlar as consciências, mas, na prática, a instituição acaba fazendo uma manobra suicida que pode fazer, gradativamente, os fiéis tomarem ojeriza à Igreja e buscar em outras instituições religiosas a experiência da liberdade de crer e de viver conforme seus princípios.
O Papa, seu contraditório Cardeal “Tucho” e as demais instâncias de poder da Igreja Católica, com tais medidas, provou que todo o discurso “democrático” emanado pós-Concílio Vaticano II nada mais é que um simulacro que não engana mais os espíritos minimamente esclarecidos.
O conhecimento liberta o homem. É isso que ameaça a megaestrutura de poder político que usa a Jesus Cristo como moeda de troca. Quanto mais pessoas se despindo da alienação religiosa, mais assistiremos ao círculo de horrores que brota dos odiosos porões da Idade Média que a instituição ainda não aprendeu a se libertar.