Sarcomas: conheça os sintomas, o diagnóstico e quando procurar um médico

Tipos raros de câncer representam até 2% dos casos em adultos e podem ser confundidos com lesões benignas, o que dificulta o diagnóstico precoce.

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- Nódulos persistentes ou aumento progressivo de volume podem ser sinais de alerta para o sarcoma Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock

Durante o Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre os sarcomas, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce. Embora raros, esses tumores podem atingir músculos, ossos, cartilagens, gordura, vasos sanguíneos e outros tecidos de sustentação do corpo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sarcomas representam entre 1% e 2% dos casos de câncer em adultos.

Ao contrário de outros tipos de câncer, os sarcomas surgem nos chamados tecidos mesenquimais. Além disso, existem mais de 100 subtipos da doença, cada um com características próprias, comportamento distinto e resposta diferente ao tratamento. Por esse motivo, a identificação correta depende de avaliação especializada.

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Sintomas podem ser confundidos com problemas benignos

Os sarcomas de partes moles estão entre os tipos mais frequentes e costumam surgir em músculos, gordura, tendões, nervos e vasos sanguíneos. De acordo com a American Cancer Society, cerca de 60% desses tumores aparecem nos braços e nas pernas.

Na maioria dos casos, o primeiro sinal é um nódulo indolor ou um aumento de volume que cresce lentamente. No entanto, alguns sintomas merecem atenção, como lesões maiores que cinco centímetros, endurecimento, dor, dormência, formigamento, fraqueza e dificuldade para movimentar a região afetada.

Segundo o oncologista Dr. Mateus Marinho, especialista em sarcomas e tumores de pele da Croma Oncologia, aproximadamente 25% dos pacientes recebem inicialmente um diagnóstico incorreto. Isso ocorre porque, muitas vezes, os tumores são confundidos com lipomas, cistos ou hematomas.

“Muitos desses tumores podem se apresentar de forma semelhante a lesões benignas, o que torna fundamental uma investigação adequada quando há sinais de alerta. Como existem mais de 100 subtipos diferentes, a definição diagnóstica frequentemente exige avaliação especializada, complementada por exames moleculares e análises específicas”, explica o médico.

Exames ajudam a confirmar o diagnóstico

Para confirmar a presença de sarcomas, os médicos utilizam exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada e, em alguns casos, PET-CT. Em seguida, a equipe realiza a biópsia e a análise histopatológica, que podem ser complementadas por testes moleculares para identificar alterações genéticas específicas.

Embora a maioria dos casos não tenha uma causa conhecida, algumas pessoas apresentam maior risco. Entre elas estão pacientes com síndromes genéticas hereditárias, histórico familiar de câncer ou tratamento prévio com radioterapia.

Tratamento evoluiu nos últimos anos

O tratamento dos sarcomas avançou significativamente nas últimas décadas. Atualmente, os especialistas combinam cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias-alvo conforme o subtipo da doença.

Além disso, técnicas modernas permitem preservar os membros afetados em muitos casos, reduzindo a necessidade de amputações. A radioterapia também ganhou mais precisão, enquanto novas terapias personalizadas ampliam as opções de tratamento para alguns pacientes.

Segundo o Dr. Mateus Marinho, o atendimento multidisciplinar faz diferença nos resultados.

“Hoje, o tratamento dos sarcomas é cada vez mais individualizado. Como cada subtipo apresenta características próprias, a escolha terapêutica depende de uma avaliação multidisciplinar que envolve diferentes especialistas, o que permite maior precisão nas condutas e melhores resultados clínicos.”

Quando procurar um médico

Especialistas orientam que qualquer nódulo persistente, aumento progressivo de volume ou alteração que não desapareça com o tempo deve ser avaliado por um profissional de saúde. Embora os sarcomas sejam raros, o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e pode melhorar o prognóstico do paciente.