
O uso de drogas sintéticas cresce em ritmo acelerado e preocupa autoridades de saúde e segurança pública. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2026, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), cerca de 331 milhões de pessoas consumiram substâncias psicoativas em 2024. Além disso, o número representa um aumento em relação aos 5,2% registrados em 2014.
Embora a maconha continue sendo a droga mais consumida no mundo, o principal alerta envolve os novos opioides sintéticos, como fentanil, nitazenos e orfinas. Essas substâncias, cada vez mais utilizadas como alternativa à heroína, apresentam alto risco de overdose e morte.
Especialistas alertam para os riscos
A delegada adjunta do Denarc no Espírito Santo, Fernanda Prado, afirma que muitos usuários subestimam o perigo dessas drogas.
Segundo ela, o fentanil possui potência extremamente elevada e pode provocar overdose com pequenas quantidades. Além disso, o consumidor muitas vezes desconhece a composição da substância, já que traficantes costumam misturar diferentes drogas de forma clandestina.
O psiquiatra José Luis Leal, da Rede Meridional, destaca outro desafio. De acordo com ele, laboratórios ilegais desenvolvem substâncias capazes de reproduzir os efeitos da maconha e da heroína, porém com potência muito superior.
Além disso, o especialista explica que mais de 400 novas substâncias surgiram nos últimos anos. Segundo ele, esse avanço acompanha a busca dos usuários por drogas cada vez mais fortes, à medida que o organismo desenvolve tolerância às substâncias tradicionais.
Educação também faz parte da prevenção
Para o psiquiatra Vicente Ramatis, o enfrentamento do problema não depende apenas da repressão policial.
Na avaliação do médico, muitas drogas sintéticas podem ser confundidas com medicamentos comuns, o que facilita sua circulação e aumenta os riscos para as famílias.
Por isso, Vicente defende investimentos em educação e prevenção. Segundo ele, a falta de informação pode elevar os custos sociais, ampliar o número de afastamentos do trabalho e aumentar os casos de invalidez e morte relacionados ao consumo dessas substâncias.
Relatório aponta crescimento global
O relatório da ONU mostra que a tecnologia e a instabilidade mundial impulsionam a produção de drogas cada vez mais potentes.
Atualmente, aproximadamente 331 milhões de pessoas, o equivalente a 6,2% da população mundial entre 15 e 64 anos, consomem algum tipo de droga ilícita.
Enquanto isso, a cannabis permanece como a substância mais utilizada, com 256 milhões de consumidores. Em seguida aparecem os opioides (63 milhões), anfetaminas (32 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy (21 milhões).
Mercado ilegal cria novas substâncias
Os fabricantes de drogas ilícitas continuam desenvolvendo compostos para escapar da fiscalização.
Em 2024, as autoridades identificaram cinco vezes mais tipos de drogas nas apreensões do que antes dos anos 2000. Além disso, o número de novas substâncias psicoativas chegou a 755, das quais 118 apareceram pela primeira vez nos mercados ilegais.
Dessa forma, a ONU reforça que o avanço das drogas sintéticas representa um dos maiores desafios atuais para a saúde pública e para os órgãos de combate ao tráfico.










