Nação Poesia: minha poesia menina

Autor relembra reconhecimento literário e homenagem de grandes nomes da literatura ao lançar nova edição de sua antologia poética

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Imagem ilustrada e gerada por IA. -

Vou publicar em breve a segunda edição da minha antologia poética Nação Poesia, e isso me faz lembrar do grande amigo e grande escritor Júlio de Queiroz, que nos deixou muita saudade. Fui eleito a Personalidade Literária do Ano pela Academia Catarinense de Letras e Artes e assumi a cadeira 19 da Academia Sul-Brasileira de Letras por causa deste livro. Ele foi muito bem aceito na época em que foi lançado, e o professor Júlio de Queiroz encantou-se com ele.

Algum tempo depois, recebi uma carta de outro grande escritor e amigo, Celestino Sachet, um dos baluartes da literatura catarinense. Ele foi o arauto que está sempre atento a tudo quanto se escreve no Estado; foi ele quem mapeou a produção literária catarinense e registrou tudo em obras fundamentais. Digo que foi, porque hoje o professor Celestino não está escrevendo mais. Sua idade avançada já não lhe permite, mas ele está lúcido e bem. Recentemente, participou de uma solenidade da Academia Desterrense de Literatura, quando foi homenageado.

Eu havia lhe enviado, logo que saiu do prelo, um exemplar da minha antologia poética Nação Poesia. Ele leu, apreciou e me enviou a mensagem mais bonita que eu poderia receber — um testemunho espontâneo que me deixou atônito. Tive que ler duas vezes para entender que era sobre o meu livro. E não posso deixar de dividir isso com todos vocês, antes de colocar na contracapa do próprio livro, em uma próxima edição:

“Meu poeta-menino, irmão gêmeo do menino-poeta. Na manhã de um domingo frio e chuvoso, percorri teu livro com ganas de curtir poesia. E me dei bem!

Teu Nação Poesia, a partir da capa, é um primor. Na sequência em que fui namorando teus versos, descobri que você é um poeta com todas as letras da linguística e com todas as artes da teoria da literatura. Já me explico.

O teu poema é uma síntese moderna de Olavo Bilac, no ‘Profissão de Fé’, quando sugere: ‘Torça, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim.’

A grande maioria de teus poemas tem este final de ouro. Tomo como modelo o poema ‘Poeta’. Dentro dos últimos cinco versos, veja a força que explode em ‘que me divido / em mais eus’.

Mas você é também Drummond, quando desafia: ‘Penetra surdamente no reino das palavras’. Só que você corrige Drummond e penetra ‘meninamente’ na magia das palavras. Toda a sua (tua) poemática é de menino — Natal, passarinho, árvore, jacatirão.

Ah, seu bandido! Essas histórias de menino fazem saltar lágrimas no leitor. Um abraço de admiração do menino que continuo sendo.”

Então, não é para ficar prosa? É um especialista em literatura dando o seu testemunho de leitor comum, pleno de sensibilidade.

Obrigado, mestre. Encho-me de orgulho com as suas palavras e agradeço por fazer tudo valer a pena.