
Por Charlie Ghazi
Neste Dia do Jornalismo, celebrado em 7 de abril, a trajetória de profissionais da comunicação ganha ainda mais destaque. Nesse contexto, o jornalista Jackson Rangel construiu uma carreira marcada por posicionamento, experiência e participação ativa nos debates públicos.
Rangel deu os primeiros passos no jornalismo no começo dos anos 80, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. A partir dessa fase, passou a atuar diretamente na cobertura de acontecimentos relevantes, com atenção voltada às áreas política e social.
Ao longo de 44 anos de carreira, o jornalista percorreu diferentes veículos de comunicação. Com o passar do tempo, ele consolidou sua presença no setor ao fundar o Folha do ES, onde atua como editor-chefe.

Atuação no jornalismo
Antes de criar sua própria plataforma, Jackson Rangel construiu uma base sólida na imprensa. Primeiro, ele trabalhou no jornal Arauto, em Cachoeiro. Em seguida, atuou na Rádio A Tribuna, também no município.
Depois disso, passou a integrar a equipe do jornal A Gazeta como repórter. Além disso, colaborou como correspondente do Jornal do Brasil. Paralelamente, também assumiu a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, ampliando sua atuação na área pública.
Estilo direto e posicionamento crítico
Desde o início da carreira, Rangel adotou um estilo opinativo e direto. Com frequência, ele critica políticos e instituições públicas, o que fortaleceu sua identidade profissional.
Por consequência, esse posicionamento firme levou o jornalista a enfrentar diversos processos judiciais ao longo dos anos. Em determinado período, inclusive, ele precisou utilizar escolta de segurança devido às tensões geradas por suas publicações.
Ainda assim, Rangel reconhece que nem sempre acertou. Em algumas ocasiões, ele revisou conteúdos, publicou retratações e esclareceu informações após identificar equívocos.
Em uma de suas declarações, afirmou:
“Não me importo com audiência ou likes. O que importa são os fatos e as análises fiéis ao meu pensamento.”
Além disso, o jornalista critica o que define como “hipocrisia em algumas esferas institucionais”, ao apontar diferenças de tratamento em decisões judiciais.
Prisão e repercussão nacional
Em dezembro de 2022, autoridades prenderam Jackson Rangel após publicações feitas em redes sociais com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo. O ministro Alexandre de Moraes classificou as postagens como “virulentas” e associou o caso a um suposto ato de “terrorismo digital”, relacionado à disseminação de conteúdos considerados prejudiciais ao Estado Democrático de Direito.
Por outro lado, a defesa contesta a legalidade do processo. O Ministério Público Federal (MPF) identificou possíveis irregularidades. Entre elas, destacou que o pedido de prisão partiu de uma instância estadual diretamente ao STF, embora essa atribuição pertença à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além disso, a defesa aponta que Rangel permaneceu preso por 368 dias sem indiciamento formal e sem prestar depoimento à Polícia Federal.

Origem do caso
O caso começou em 2021, quando Jackson Rangel publicou reportagens sobre um suposto esquema de corrupção no governo do Espírito Santo. Segundo ele, recebeu um pen drive com materiais e decidiu encaminhar o conteúdo às autoridades.
No entanto, em vez de investigar as denúncias, a promotoria estadual abriu um inquérito contra o jornalista por divulgar as informações. Posteriormente, esse procedimento serviu como base para o pedido de prisão.
Decisões judiciais e desdobramentos
Antes da prisão, o ministro Dias Toffoli já havia se manifestado sobre o tema. Em junho de 2022, ele determinou que autoridades não responsabilizassem jornalistas pela divulgação do material, reforçando o direito constitucional ao sigilo da fonte.
Mesmo assim, a prisão ocorreu meses depois. Diante disso, a defesa sustenta que a decisão contrariou o entendimento anterior.
Em dezembro de 2023, a Justiça concedeu liberdade provisória a Jackson Rangel. Desde então, ele cumpre medidas cautelares determinadas pelo STF, semelhantes às aplicadas em outros processos recentes.
Atualmente, a defesa aguarda uma decisão definitiva do ministro Alexandre de Moraes, com base em pareceres do Ministério Público que recomendam o arquivamento do caso.
Segundo o advogado, uma decisão favorável não compensará o tempo de prisão, mas poderá representar o reconhecimento das garantias do Estado de Direito.










