De olho nos jovens, indústria do tabaco tenta liberar aditivos de sabor e aroma, alerta Inca

Doença causada pelo cigarro está ligada a problemas cardiovasculares, respiratórios, diabetes e diversos tipos de câncer, alerta o Inca

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- Foto: Reprodução

O aumento do consumo de tabaco entre adolescentes preocupa autoridades de saúde no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o uso de aditivos de sabor e aroma em produtos derivados do tabaco amplia o interesse dos jovens e fortalece a dependência de nicotina.

O alerta ocorreu durante evento em razão do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A programação aconteceu nesta quinta-feira (28), no Rio de Janeiro.

De acordo com o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, o impacto do tabagismo vai muito além da saúde individual. Além disso, ele afirmou que os custos gerados pelas doenças ligadas ao cigarro superam a arrecadação de impostos obtida com a venda desses produtos.

“Um produto que mata um em cada dois usuários não deveria existir”, afirmou Roberto Gil.

Indústria da nicotina amplia estratégias

O tema da campanha deste ano é “Desmascarando o apelo – Combatendo a dependência de nicotina e tabaco”. Nesse sentido, especialistas destacaram como crianças e adolescentes se tornam alvos de estratégias consideradas enganosas pela indústria.

Segundo Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), o setor passou por mudanças nos últimos anos.

“Não estamos mais falando apenas da indústria do tabaco, mas da indústria da nicotina”, afirmou.

Além disso, Vera destacou o avanço de produtos tecnológicos, como nicotina sintética, sais de nicotina e cigarros com sabores artificiais. Dessa maneira, segundo ela, o mercado busca atrair novos consumidores, principalmente adolescentes.

Anvisa proíbe sabores e aromas no cigarro

Os especialistas também defenderam a manutenção da Resolução RDC 14/2012 da Anvisa, que proíbe aditivos de sabor e aroma em produtos derivados do tabaco.

De acordo com o Inca, empresas do setor recorrem à Justiça para tentar manter no mercado cigarros com sabores proibidos pela agência reguladora.

Durante o evento, pesquisadores apresentaram um estudo brasileiro publicado na revista científica Tobacco Control, em fevereiro de 2026. O trabalho contestou o argumento de que a proibição dos aditivos inviabilizaria a produção nacional de cigarros.

Segundo o levantamento, cerca de metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não utilizava os aditivos vetados pela Anvisa.

Além disso, o estudo reforçou que o Brasil foi o primeiro país do mundo a proibir substâncias capazes de alterar sabor e aroma em produtos de tabaco.

Tabagismo causa doenças graves

O tabagismo está ligado às principais doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias, além de pelo menos 24 tipos de câncer, principalmente o de pulmão.

Dados do Inca mostram que os gastos com tratamentos de doenças relacionadas ao cigarro superam em mais de dez vezes o valor arrecadado em impostos sobre produtos derivados do tabaco.

Segundo Cristian Morales Fuhrimann, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, o impacto do cigarro afeta milhões de famílias.

Além disso, ele destacou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito e especializado para quem deseja parar de fumar.

Milhões de adolescentes usam tabaco no mundo

Segundo dados apresentados pela Opas, um em cada cinco adultos no mundo consome tabaco.

Nas Américas, o cigarro é responsável por:

  • 15% das mortes por doenças cardiovasculares;
  • 24% das mortes por câncer;
  • 45% dos óbitos por doenças respiratórias crônicas.

Além disso, cerca de 40 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos usam produtos derivados do tabaco no mundo. Desse total, 15 milhões utilizam cigarros eletrônicos.

Nas Américas, aproximadamente 2,6 milhões de adolescentes consomem tabaco tradicional, enquanto 2 milhões usam cigarros eletrônicos.

Especialistas defendem combate ao tabagismo

Autoridades de saúde defendem medidas mais rígidas para impedir o avanço da indústria da nicotina sobre crianças e adolescentes.

Além disso, especialistas reforçam que campanhas educativas, fiscalização e políticas públicas continuam sendo fundamentais para reduzir o consumo de cigarro e proteger a saúde da população.

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