
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9) que a instituição não negocia o seu mandato. Além disso, ele defendeu o avanço da autonomia institucional como forma de garantir decisões técnicas independentes.
A declaração ocorreu durante a Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo próprio Banco Central. Na ocasião, Galípolo destacou que a autonomia vai além da legislação e depende, sobretudo, de postura institucional.
Autonomia como base das decisões
Segundo o presidente, o Banco Central precisa preservar sua capacidade de tomar decisões sem interferências externas. Dessa forma, a autoridade monetária consegue atuar com foco técnico, mesmo diante de pressões políticas.
“A autonomia é algo essencial e significa não estar disponível para negociar o mandato”, afirmou.
Além disso, Galípolo ressaltou que fortalecer a estrutura institucional evita que decisões técnicas sofram consequências políticas no futuro. Ele também defendeu transparência interna e responsabilidade dentro do órgão.
Nesse sentido, o presidente destacou a importância de reconhecer falhas e corrigi-las com rigor. A fala ocorre após investigações apontarem o envolvimento de servidores do BC em um esquema investigado pela Polícia Federal.
Focus funciona como bússola da economia
Por outro lado, Galípolo destacou o papel do boletim Focus na condução da política monetária. Segundo ele, as expectativas do mercado funcionam como uma espécie de “bússola” para o Banco Central.
De acordo com o presidente, essas projeções refletem a visão de economistas e agentes financeiros sobre o cenário econômico. Assim, influenciam diretamente decisões de consumo, investimento e formação de preços.
“São essas decisões, tomadas hoje, que acabam moldando o futuro da economia”, explicou.
Inflação segue em alta nas projeções
Enquanto isso, as estimativas de inflação seguem em alta. Conforme o boletim Focus divulgado nesta semana, o mercado elevou pela quarta vez consecutiva a previsão para o IPCA em 2026.
A projeção subiu de 4,31% para 4,36%. Além disso, as estimativas para os próximos anos também registraram ajustes:
- 2027: de 3,84% para 3,85
- 2028: de 3,57% para 3,60%
- 2029: mantida em 3,50%
Segundo analistas, o aumento está ligado, principalmente, à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Como resultado, os preços dos combustíveis podem subir e pressionar a inflação no Brasil.
Atualmente, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. O objetivo é manter o índice em 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.










