Galípolo diz que BC não negocia mandato e reforça autonomia institucional

Presidente do Banco Central afirma que decisões técnicas precisam ficar livres de pressões e aponta o boletim Focus como referência para a política monetária

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em Brasília, nesta terça-feira, 08 de outubro de 2024. Galípolo reconheceu que há anos as projeções de crescimento do Brasil vêm sendo revistas "sistematicamente ao longo do ano para cima, surpreendendo positivamente em relação a crescimento". — Foto: CLÁUDIO REIS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO -

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9) que a instituição não negocia o seu mandato. Além disso, ele defendeu o avanço da autonomia institucional como forma de garantir decisões técnicas independentes.

A declaração ocorreu durante a Premiação Anual Rankings Top 5 2025, evento promovido pelo próprio Banco Central. Na ocasião, Galípolo destacou que a autonomia vai além da legislação e depende, sobretudo, de postura institucional.


Autonomia como base das decisões

Segundo o presidente, o Banco Central precisa preservar sua capacidade de tomar decisões sem interferências externas. Dessa forma, a autoridade monetária consegue atuar com foco técnico, mesmo diante de pressões políticas.

“A autonomia é algo essencial e significa não estar disponível para negociar o mandato”, afirmou.

Além disso, Galípolo ressaltou que fortalecer a estrutura institucional evita que decisões técnicas sofram consequências políticas no futuro. Ele também defendeu transparência interna e responsabilidade dentro do órgão.

Nesse sentido, o presidente destacou a importância de reconhecer falhas e corrigi-las com rigor. A fala ocorre após investigações apontarem o envolvimento de servidores do BC em um esquema investigado pela Polícia Federal.


Focus funciona como bússola da economia

Por outro lado, Galípolo destacou o papel do boletim Focus na condução da política monetária. Segundo ele, as expectativas do mercado funcionam como uma espécie de “bússola” para o Banco Central.

De acordo com o presidente, essas projeções refletem a visão de economistas e agentes financeiros sobre o cenário econômico. Assim, influenciam diretamente decisões de consumo, investimento e formação de preços.

“São essas decisões, tomadas hoje, que acabam moldando o futuro da economia”, explicou.


Inflação segue em alta nas projeções

Enquanto isso, as estimativas de inflação seguem em alta. Conforme o boletim Focus divulgado nesta semana, o mercado elevou pela quarta vez consecutiva a previsão para o IPCA em 2026.

A projeção subiu de 4,31% para 4,36%. Além disso, as estimativas para os próximos anos também registraram ajustes:

  • 2027: de 3,84% para 3,85
  • 2028: de 3,57% para 3,60%
  • 2029: mantida em 3,50%

Segundo analistas, o aumento está ligado, principalmente, à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Como resultado, os preços dos combustíveis podem subir e pressionar a inflação no Brasil.

Atualmente, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. O objetivo é manter o índice em 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.