Estrela entra em recuperação judicial após pressão do mercado digital

Empresa atribui crise aos juros altos, crédito restrito e avanço dos jogos digitais no consumo infantil

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Imagem ilustrada e gerada por IA. -

A tradicional fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira (20). A empresa informou ao mercado que busca reestruturar as dívidas em meio aos juros altos, crédito mais restrito e mudanças no comportamento das crianças, cada vez mais conectadas a jogos online e plataformas digitais.

Em comunicado divulgado aos investidores, a companhia afirmou que manterá normalmente as operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo.

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Fundada em 1937, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas da indústria brasileira de brinquedos e marcou gerações com produtos que fizeram sucesso em todo o país. A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Com o passar das décadas, porém, virou referência nacional no setor.

Além disso, a fabricante foi uma das primeiras empresas brasileiras a abrir capital na Bolsa, ainda em 1944.

Brinquedos marcaram gerações

Ao longo da trajetória, a Estrela lançou brinquedos que se transformaram em ícones do mercado nacional. Entre eles estão o Banco Imobiliário, criado nos anos 1940, o Autorama, nos anos 1960, e o Genius, lançado nos anos 1980 como um dos primeiros brinquedos eletrônicos do Brasil.

A companhia também ficou conhecida por sucessos como Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e Moranguinho.

Além dos clássicos, a empresa apostou em personagens de TV, cultura pop e influenciadores digitais para tentar acompanhar as mudanças no consumo infantil.

Concorrência e mudança de hábitos afetaram empresa

Nos anos 2000 e 2010, a Estrela tentou modernizar parte dos produtos e incorporou tecnologia aos brinquedos tradicionais. A fabricante também ampliou a presença no segmento de itens colecionáveis e licenciados.

Mesmo assim, a companhia enfrentou dificuldades para competir com brinquedos importados de baixo custo. Ao mesmo tempo, o avanço dos videogames, redes sociais e plataformas digitais mudou os hábitos das crianças e reduziu o espaço dos brinquedos tradicionais.

Atualmente, a Estrela mantém escritório central em São Paulo e fábricas no interior paulista, em Minas Gerais e Sergipe.