
Centros de pesquisa do Espírito Santo intensificaram o recrutamento de voluntários para os testes clínicos de uma nova vacina contra a gripe desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O estudo é direcionado para pessoas acima de 60 anos e já mobiliza pesquisadores em Vitória.
Além do Espírito Santo, a pesquisa também acontece em municípios de outros oito estados brasileiros. Ao todo, o estudo pretende reunir cerca de 6.900 voluntários em todo o País.
Segundo a médica Ana Paula Burian, responsável pelo estudo no Centro de Pesquisa Clínica e Diagnóstico do Espírito Santo (Cedoes), os interessados precisam atender critérios específicos para participar da seleção.
“Qualquer pessoa acima de 60 anos que não tenha tomado vacina contra gripe nos últimos seis meses e não tenha sido hospitalizada nos últimos 90 dias pode participar. Além disso, orientamos que os interessados procurem os centros de pesquisa para entender todas as etapas do estudo”, explicou.
Critérios
Os pesquisadores informaram que os voluntários não podem ter recebido vacina contra influenza nos últimos 180 dias. Da mesma forma, pessoas com doenças crônicas descompensadas ou quadros avançados de demência, como Alzheimer, também ficam fora da seleção.
Segundo especialistas, o foco no público idoso ocorre porque o sistema imunológico perde eficiência com o avanço da idade. Por isso, idosos apresentam maior risco de desenvolver complicações causadas pela gripe, incluindo internações e mortes.
A gestora médica de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan, Carolina Barbieri, destacou que o estudo busca ampliar a proteção dessa parcela da população.
“Apesar da eficácia das vacinas já oferecidas pelo SUS, pessoas acima de 60 anos costumam apresentar resposta imunológica menor. Por isso, os testes avaliam alternativas capazes de aumentar a proteção contra a influenza”, afirmou.
Acompanhamento
Após a triagem médica, os pesquisadores dividirão os participantes em dois grupos. Um deles receberá a nova vacina em desenvolvimento. Enquanto isso, o outro grupo receberá a vacina já disponível atualmente no mercado.
Além disso, o estudo utiliza o modelo chamado “duplo-cego”. Dessa forma, nem os voluntários nem os médicos responsáveis pelo acompanhamento saberão qual vacina cada participante recebeu.
Segundo os pesquisadores, esse formato reduz interferências psicológicas e aumenta a confiabilidade dos resultados.
Durante seis meses, os voluntários passarão por consultas presenciais, atendimentos telefônicos e exames laboratoriais para monitoramento da resposta imunológica.
A médica Maria Clara Caetano, subinvestigadora do estudo no Centro de Avaliação de Medicamentos e Especialidades de Pesquisa (Cenders), reforçou que a participação será totalmente gratuita.
“O estudo custeará o transporte dos participantes até os centros de pesquisa. Além disso, os voluntários terão acompanhamento médico completo durante todo o período da pesquisa”, destacou.
Recrutamento
O recrutamento para a fase final dos testes clínicos segue aberto em Vitória até meados de maio, embora os pesquisadores ainda não tenham definido uma data oficial para encerramento das inscrições.
Segundo os responsáveis pelo estudo, o interesse dos voluntários cresceu nos últimos dias. Inclusive, muitos participantes passaram a indicar o projeto para amigos e familiares.










