
O Brasil vive um cenário contraditório: o desemprego está em nível historicamente baixo, porém o endividamento das famílias segue elevado. Em janeiro, 79,5% dos lares tinham dívidas, enquanto 29,3% estavam inadimplentes. Além disso, 12,7% afirmaram não ter condições de pagar o que devem.
Especialistas apontam que, embora haja emprego, a renda não acompanha o custo de vida. Com isso, muitas famílias recorrem ao crédito para fechar as contas, o que aumenta o risco financeiro no longo prazo.
Cartão de crédito lidera e compromete renda
O cartão de crédito concentra 85,4% das dívidas no país. Ao mesmo tempo, quase 20% das famílias já comprometem mais da metade da renda com pagamentos.
Diferente de países como Estados Unidos e China, onde o crédito financia bens duráveis, no Brasil ele é usado para despesas básicas. Isso agrava o problema, já que não gera retorno financeiro futuro.
Juros altos e baixa renda pressionam famílias
Os juros elevados são um dos principais fatores de pressão. Taxas médias acima de 30% ao ano — e mais de 300% no rotativo — dificultam a quitação das dívidas.
Além disso, especialistas destacam problemas estruturais, como baixa produtividade e crescimento econômico limitado. Como resultado, muitas famílias apenas trocam dívidas, sem melhorar a capacidade de pagamento.
13º salário não resolve e inadimplência persiste
Mesmo com o pagamento do 13º salário, a inadimplência continua alta. Isso mostra que a renda extra não tem sido suficiente para equilibrar as contas.
Na prática, as famílias conseguem apenas aliviar parcialmente as dívidas, geralmente ao reduzir gastos ao longo do tempo.
Risco de superendividamento cresce no país
O risco de superendividamento é considerado real. Muitos brasileiros possuem dívidas em várias instituições ao mesmo tempo, o que dificulta o controle financeiro.
Outro fator preocupante é o avanço das apostas online. Parte da população recorre às bets na tentativa de melhorar a renda, mas acaba agravando a situação financeira.
Expansão do crédito pode agravar cenário
Medidas como o crédito consignado privado ampliam o acesso ao dinheiro, mas podem estimular ainda mais o endividamento. Embora ofereçam juros menores, muitas vezes servem apenas para trocar dívidas antigas por novas.
Especialistas alertam que essas soluções são paliativas e não atacam a raiz do problema.
Política fiscal influencia juros e endividamento
A política fiscal também impacta diretamente o cenário. Gastos públicos elevados aumentam o risco percebido pelo mercado, o que pressiona os juros para cima.
Com isso, forma-se um ciclo: crédito caro, renda comprometida e dependência de empréstimos. Mesmo com emprego, muitas famílias seguem sem capacidade de equilibrar o orçamento.
FONTE: GAZETA DO POVO










