
De início, deixo bem claro que não se trata de nada pessoal contra o Dr. Augusto Cury. Não há dúvidas de que se trata de um Médico altamente gabaritado em sua área e seu trabalho é digno de crédito. Porém, para entrar na política não basta ser bem resolvido quanto aos ideais e a profissão, mas compreender o que é, de fato, a disputa pelo poder e suas implicações.
Aparentemente, o pré-candidato decidiu disputar o cargo de Presidente da República faltando poucos meses para o fechamento da janela partidária. Dialogou com vários partidos e teve espaço no Avante, antigo PT do B.
Com excelente retórica, o referido Médico demonstrou não compactuar com a polarização política e pretende dialogar com todos, independente da ideologia. Considera a radicalização prejudicial, pois esta valoriza mais projetos pessoais do que aquilo que é benéfico para o país.
Embora o discurso do Dr. Augusto Cury seja pertinente, é fato que ignorar que as ideologias são parte da construção política é demonstrar desconhecimento perante o que é, de fato, o jogo pelo poder. Ninguém que governa ignora seus ideais partidários e ideológicos. Por trás de todo governante, estão suas crenças.
É impossível que um Governante não seja impulsionado por suas ideologias e não componha seus Ministérios com pessoas alinhadas com seus ideais. Não há como misturar água e óleo. Ou joga no mesmo time, ou vai para o lado do adversário. Não existe nenhuma organização humana em que os contrários convivam democraticamente sem trazer algum tipo de instabilidade.
Não seria somente utópico, mas irrealizável a harmonia dos poderes quando alguns, dentro de um mesmo governo, desejam um ideal que se diferencia exponencialmente daquele do Governante. Algo precisa prevalecer, portanto, torna-se crucial para aquele que deseja pleitear o cargo de Presidente da República que exponha com clareza o que, de fato, defende como política de Estado.
Além das definições de política de Estado que o Dr. Augusto Cury já manifestou, é preciso que traga ao conhecimento do público quem serão seus Ministros a fim de observarmos se os partidos que irão compor sua chapa não teriam o poder de intervenção. Esta informação é necessária para observarmos se, na prática, as ideologias falarão ou não mais alto quando os conflitos nacionais e internacionais baterem à porta.
Dito isso, continuemos observando o cenário político que se desenha, trazendo ao debate questionamentos pertinentes e que corroboram com o esclarecimento dos eleitores!










