
Mudança foi oficializada por decreto publicado nesta quinta-feira (14) e prevê prazo máximo de até dez dias para solução dos casos
A mediação dos conflitos de terra no Espírito Santo deixou de ser responsabilidade da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e passou a ser coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). A mudança foi oficializada por meio de decreto publicado nesta quinta-feira (14).
Além disso, o novo modelo estabelece prazo máximo de até dez dias para a solução das demandas, incluindo previsão de atuação emergencial em casos considerados urgentes.
Segundo o governador Ricardo Ferraço (MDB), a medida busca garantir mais agilidade na devolução de propriedades invadidas aos proprietários legais.
“Invasão e ocupação são problemas de segurança pública, não de direitos humanos”, afirmou o governador.
Governo quer acelerar reintegrações de posse
De acordo com Ferraço, o Estado precisa agir de forma mais rápida diante de ocupações ilegais em áreas urbanas e rurais. Ele comparou essas situações aos casos em que famílias são expulsas de casa pelo tráfico de drogas.
“O direito à propriedade é um valor fundamental do qual os capixabas não abrem mão. A violação da propriedade urbana ou rural representa um problema de segurança pública”, destacou.
Atualmente, os processos de reintegração de posse dependem de decisões judiciais e podem ultrapassar 60 dias até a conclusão. Conforme explicou o governador, o procedimento exige análise judicial, planejamento da Polícia Militar e nova autorização da Justiça antes da execução da ação.
Caso em Anchieta motivou debate
Ricardo Ferraço citou como exemplo uma ocupação em uma área pertencente a uma empresa no município de Anchieta. Segundo ele, o caso já ultrapassa 60 dias sem solução definitiva.
“O plano de reintegração foi aprovado, mas houve pedido de mais prazo, que acabou concedido. É uma área sabidamente da empresa, mas dependo da Justiça para agir”, declarou.
Diante disso, o governo estuda medidas administrativas que permitam respostas mais rápidas antes mesmo da judicialização dos casos.
Ainda segundo Ferraço, as futuras ações seguirão critérios legais e não terão caráter arbitrário.
“Queremos agilizar a devolução ao titular original, mas sempre subordinados à lei”, acrescentou.
Comissão terá apoio de outros órgãos
Com a mudança, a Comissão Estadual de Prevenção e Conciliação de Conflitos Fundiários ficará sob coordenação da Sesp.
Além da Segurança Pública, o grupo contará com participação das secretarias de Direitos Humanos (SEDH), Governo (SEG) e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), além da Polícia Militar.
O decreto também prevê apoio de órgãos como Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública Estadual, principalmente em casos que envolvam populações vulneráveis ou risco de conflitos coletivos.
As ações deverão considerar princípios como dignidade da pessoa humana, função social da propriedade e segurança jurídica.
Governador critica motivações ideológicas
Durante o anúncio, Ricardo Ferraço afirmou que parte das ocupações ocorre por motivações ideológicas e não necessariamente por necessidade de moradia ou terra.
“O investidor busca estabilidade jurídica. O cenário atual não é bom para o Espírito Santo e vamos trabalhar para mudar essa trajetória”, declarou.
Apesar disso, o governador ressaltou que as novas medidas não atingem assentamentos realizados de forma legal.











