Vereador pede retirada de nome ligado ao Caso Araceli de avenida

Proposta na Câmara de Vitória discute mudança do nome da avenida em meio ao debate sobre o Caso Araceli.

- Arte digital – IA

Vitória pode passar por uma mudança simbólica em uma de suas principais vias. Um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal pelo vereador Armandinho Fontoura (PL) propõe a alteração do nome da Avenida Dante Michelini, uma das mais movimentadas da capital, para Avenida Governador Gerson Camata.

A proposta, registrada como PL nº 004/2026, revoga a Lei Municipal nº 1.701, de 1967, e reacende o debate em torno do Caso Araceli, crime ocorrido em 1973 que marcou a história do Espírito Santo. Araceli Crespo Sanches, de oito anos, foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória. O caso ganhou repercussão nacional e, passadas mais de cinco décadas, não houve condenações.

Segundo o autor do projeto, a manutenção do nome Dante Michelini na principal avenida da orla é inadequada devido à associação do sobrenome ao episódio. Armandinho Fontoura afirma que o filho de Dante Michelini esteve entre os investigados no caso, o que, para ele, torna incompatível a permanência da homenagem.

“O Caso Araceli é um símbolo da impunidade no Brasil. A cidade não pode ignorar sua própria história nem prestar homenagens a nomes ligados a episódios tão graves”, declarou o vereador.

No lugar, o parlamentar propõe homenagear Gerson Camata, ex-governador do Espírito Santo, senador da República por três mandatos e figura de destaque na política capixaba. Camata também foi vereador em Vitória, deputado estadual e federal, e governador do Estado entre 1983 e 1986, sendo o primeiro eleito após o período da redemocratização.

Para Armandinho, a mudança tem caráter educativo e institucional. “Os espaços públicos carregam valores e memórias. Homenagear líderes que contribuíram para o desenvolvimento do Espírito Santo é uma forma de transmitir esses valores às futuras gerações”, afirmou.

O vereador também relaciona a proposta ao debate sobre segurança pública e justiça, defendendo que a revisão de homenagens públicas é uma forma de reafirmar o compromisso da cidade com a proteção de crianças e o enfrentamento à violência.

O projeto prevê que, caso seja aprovado, os custos para a substituição das placas fiquem sob responsabilidade do Executivo Municipal, por meio de dotações orçamentárias próprias. A matéria segue agora para tramitação na Câmara e deve gerar debates entre parlamentares e a sociedade.

Ao finalizar, Armandinho Fontoura pediu o apoio dos colegas vereadores para a aprovação da proposta, destacando que a iniciativa busca reforçar valores históricos, sociais e institucionais do município.

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