
Há um ano, a fumaça branca fumegava da Capela Sistina, aquela que tem obras magníficas de Michelangelo, entre elas uma estranha que mostra o Diabo interrompendo Eva em aparente intimidade com Adão. A fumaça indicava: Habemus Papam!
À espera do nome do Papa, o primeiro sinal (ou semeion, no grego do Evangelho segundo João, raiz da palavra semáforo) seria verde ou vermelho? Leão! O último Leão, o XIII, iniciou uma grande revolução na Igreja, mostrando as garras ao denunciar a exploração do ser humano pelo capitalismo e liberalismo na Encíclica Rerum Novarum, e que logo no início deixa claro que não é um alinhamento com o socialismo nem com o comunismo. Os cristãos, desde a Patrística, defendem o sistema de comunidade, ou Koinonia.
A origem do Papa também constituiu um sinal mais que claro. Proveniente do Novo Mundo, aquele que homenageou Américo Vespúcio. Um sacerdote dos Estados Unidos, nascido e criado no Primeiro Mundo, na nação mais poderosa e rica do mundo, mas que ergueu sua vida apostólica na América do Sul, no Peru. E, ainda, é agostiniano, como Gregor Mendel, que viabilizou o evolucionismo de Darwin com os estudos da hereditariedade.
O Papa Leão XIV apresenta-se ao público em êxtase na praça e proclama sua saudação: “A paz esteja com todos vocês!”. Repete a mesma saudação quando Jesus aparece pela primeira vez aos apóstolos, segundo João (20,19ss), já que não levaram muito a sério o testemunho de Maria Madalena. E que acerto! Nunca o mundo precisou tanto de um pregador da paz.
E completou Leão: “A paz de Cristo ressuscitado é uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante, e ela vem de Deus, que nos ama a todos incondicionalmente”.
O Papa Leão XIV fez apelos vigorosos denunciando os senhores da guerra, cujas mãos “pingam sangue”, durante a missa do Domingo de Ramos, em 29 de março. E, ainda, durante a Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril: “Quem é escravo da morte faz de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe”.
Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina, Abbas, e de Israel, Herzog, reiterando a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados. Também manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum interesse.
A primeira nomeação que o Papa Leão XIV fez na Cúria foi a de uma mulher, a Ir. Tiziana Merletti, que será secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.
O Papa ainda emitiu a Nota Doutrinal Mater Populi Fidelis (Mãe do Povo Fiel), um tema que ficou amadurecendo nos últimos 30 anos e que recoloca Maria no seu lugar: uma menina que diz sim a uma missão importante de Deus e uma mulher que diz a Jesus que chegara sua hora, torna-se sua discípula e aparece pela última vez no Novo Testamento orando perseverantemente com todos (At 2,14).










