Trump endurece discurso e diz não estar satisfeito com acordo com o Irã

Há 60 dias, o presidente notificou formalmente o Congresso sobre os ataques contra o Irã; a legislação americana exige o encerramento de qualquer uso das Forças Armadas dos Estados Unidos após esse prazo se não houver autorização dos congressistas.

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- Trump afirmou que um acordo tem sido difícil de alcançar Crédito: Jim Lo Scalzo/EPA/Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que não está satisfeito com o andamento das negociações com o Irã. A declaração ocorreu após uma nova rodada de conversas entre os dois países, ainda sem avanço concreto para um acordo de longo prazo.

“Acabamos de ter uma conversa com o Irã. Vamos ver o que acontece. Mas eu diria que não estou feliz”, disse Trump a jornalistas.

Negociações enfrentam dificuldades

Segundo o presidente norte-americano, as tratativas seguem complexas. Ele atribuiu parte da dificuldade ao cenário interno do Irã, que, de acordo com Trump, estaria “muito confuso” após a morte de oficiais militares durante o conflito recente.

Apesar de um cessar-fogo em vigor desde o início de abril, Estados Unidos e Irã ainda não chegaram a um entendimento definitivo. Enquanto isso, sinais de negociação continuam surgindo. A agência estatal iraniana IRNA informou que Teerã enviou uma proposta aos EUA por meio de intermediários no Paquistão, embora detalhes não tenham sido divulgados.

Impactos econômicos globais

Ao mesmo tempo, o impasse afeta diretamente o cenário econômico internacional. Os preços do petróleo, que haviam subido após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, recuaram com a notícia da nova proposta diplomática.

No entanto, o principal canal de navegação segue efetivamente bloqueado, o que mantém pressão sobre o comércio global e amplia a incerteza nos mercados.

Opções militares e diplomáticas

Durante a conversa com a imprensa, Trump revelou que recebeu opções do Comando Central dos EUA. Entre elas, estavam desde ações militares mais intensas até a possibilidade de firmar um acordo com o governo iraniano.

Dessa forma, o governo mantém diferentes caminhos em análise, enquanto busca equilibrar pressão militar e negociação diplomática.

Além disso, cresce o debate jurídico nos Estados Unidos sobre o prazo para autorização do uso das Forças Armadas. Em 2 de março, Trump notificou formalmente o Congresso sobre os ataques ao Irã, iniciando a contagem de 60 dias prevista na legislação.

A lei determina que operações militares devem ser encerradas após esse período, caso não haja autorização formal do Congresso. No entanto, o governo argumenta que o prazo está suspenso devido ao cessar-fogo.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendeu essa interpretação ao afirmar que a pausa nas hostilidades interrompe a contagem do prazo. Por outro lado, parlamentares e especialistas contestam essa visão.

Especialistas questionam interpretação

Para críticos, a situação ainda configura hostilidade. A professora Heather Brandon-Smith, da Universidade Georgetown, afirmou que ações como o bloqueio de portos iranianos caracterizam ato de guerra.

“As hostilidades não cessaram. Isso é claramente um ato de hostilidade”, declarou.

Além disso, ela destacou que a legislação não define de forma restrita o conceito de “hostilidades”, justamente para abranger diferentes tipos de ações militares.

Segundo a especialista, mesmo que haja um cessar-fogo, isso não interrompe automaticamente o prazo legal. “Um cessar-fogo não representa o fim permanente de um conflito”, afirmou.

Cenário segue indefinido

Diante desse contexto, o cenário permanece incerto. Enquanto negociações avançam lentamente, aumentam as pressões políticas e jurídicas dentro dos Estados Unidos.

Assim, o futuro das relações entre Washington e Teerã dependerá tanto da evolução diplomática quanto das decisões internas do governo norte-americano e do Congresso.

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O secretário de Defesa respondia a perguntas de senadores na quinta-feira
Crédito: Reuters

A especialista em segurança nacional e política externa Elisa Ewers, do Council on Foreign Relations, também demonstrou preocupação com o cenário atual. Segundo ela, apesar do cessar-fogo temporário, militares dos Estados Unidos continuam expostos a riscos na região.

De acordo com Ewers, a própria implementação do bloqueio imposto pelos EUA já configura um ambiente de hostilidade. “A implementação do bloqueio não está isenta de riscos e, por si só, constitui hostilidades. Dada a fragilidade do cessar-fogo e as mensagens do presidente Trump sobre possíveis novos ataques, existe o risco de uso de força”, afirmou.

Além disso, a especialista levantou questionamentos sobre a interpretação legal do prazo de 60 dias previsto na Resolução dos Poderes de Guerra. Segundo ela, uma eventual retirada e posterior reintrodução de forças militares poderia, em tese, reiniciar a contagem do prazo.

Governo questiona legislação

Enquanto isso, o presidente Donald Trump voltou a criticar a própria legislação. Em declaração a jornalistas na Casa Branca, ele afirmou que a Resolução dos Poderes de Guerra “nunca foi cumprida” e classificou a norma como inconstitucional.

“Todos os outros presidentes a consideraram totalmente inconstitucional, e nós concordamos com isso”, disse Trump. Ele também acrescentou que diversos governos anteriores ultrapassaram o limite de 60 dias estabelecido pela lei.

Paralelamente, autoridades do governo iniciaram conversas com membros do Congresso na tentativa de obter autorização formal para a continuidade das ações militares, segundo a CBS News.

Congresso dividido

No Congresso, o tema segue gerando impasse. Tentativas lideradas por parlamentares democratas para limitar as ações do presidente não avançaram até o momento. Ainda assim, integrantes do partido afirmam que continuarão pressionando para registrar posição política sobre o tema.

Por outro lado, a maioria dos republicanos tem se posicionado contra essas iniciativas. No entanto, alguns parlamentares sinalizam que podem reavaliar suas posições após o fim do prazo legal.

Origem do conflito

O atual conflito teve início após ataques de grande escala conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra Israel e aliados norte-americanos na região do Golfo Pérsico.

Desde então, o embate se intensificou em meio a tensões relacionadas ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos e seus aliados afirmam que o Irã busca desenvolver armas nucleares, enquanto o governo iraniano nega as acusações.

Custos e apoio político

Além das tensões diplomáticas e militares, o conflito já gera impacto financeiro significativo. Durante audiência no Congresso, um assessor do secretário de Defesa informou que as operações no Irã custaram cerca de US$ 25 bilhões aos Estados Unidos.

Apesar disso, parte dos parlamentares republicanos mantém apoio às ações do governo. O congressista Carlos Gimenez, da Flórida, afirmou considerar o Irã uma ameaça direta.

“Quando alguém me diz por 47 anos que quer nos matar, acho que vou levar isso ao pé da letra. Apoio nossos esforços para garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear”, declarou.

Cenário segue incerto

Diante desse contexto, o cenário permanece instável. Enquanto especialistas alertam para riscos jurídicos e militares, o governo busca respaldo político e mantém diferentes estratégias em avaliação.

Assim, o desfecho do conflito dependerá tanto das negociações internacionais quanto das decisões internas nos Estados Unidos.