
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar um tom duro contra o Irã nesta quarta-feira (29), em meio ao impasse nas negociações sobre o conflito no Oriente Médio. Em uma publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que “cansou de ser bonzinho” e compartilhou uma imagem gerada por Inteligência Artificial em que aparece segurando um fuzil, com explosões ao fundo.
Na postagem, Trump criticou a postura de Teerã e afirmou que o país “não é capaz de se organizar”. Ele também pressionou por um acordo envolvendo o programa nuclear iraniano. “Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor se apressarem”, escreveu.
Enquanto isso, a Casa Branca avalia a proposta mais recente apresentada pelo Irã, que envolve a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Segundo informações da agência Reuters, Trump demonstrou insatisfação com o plano e orientou sua equipe a se preparar para um possível bloqueio prolongado dos portos iranianos.
A proposta iraniana prevê negociações em etapas. Em um primeiro momento, o país exige o fim do conflito e garantias de que os Estados Unidos não retomem ações militares. Em seguida, as discussões abordariam o bloqueio naval e o controle do estreito de Hormuz. Apenas depois, os dois lados tratariam de questões mais amplas, como o programa nuclear.
No entanto, Trump defende que o tema nuclear seja tratado desde o início das negociações. De acordo com o jornal The Wall Street Journal, o presidente não acredita na boa-fé do governo iraniano e considera possível forçar o país a suspender o enriquecimento de urânio por até 20 anos, além de aceitar restrições mais rígidas.
Apesar das tensões, a estratégia atual dos Estados Unidos é intensificar a pressão econômica sobre o Irã, principalmente por meio de restrições às exportações de petróleo. Ao mesmo tempo, novas ações militares não estão descartadas, embora sejam consideradas arriscadas.
O cenário também aumenta a pressão interna sobre Trump. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, a taxa de aprovação do presidente atingiu o nível mais baixo do atual mandato, influenciada pelo custo de vida e pela insatisfação com o conflito.
No campo diplomático, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou a proposta iraniana como “melhor” do que o esperado, mas reforçou que Washington exige a normalização do funcionamento do Estreito de Hormuz. Já o governo iraniano reagiu, afirmando que os Estados Unidos precisam abandonar exigências consideradas “ilegais e irracionais”.
Em meio às negociações, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, deve prestar esclarecimentos ao Congresso ainda nesta quarta-feira sobre a condução da guerra no Oriente Médio.










