
O debate sobre salário por hora em supermercados ganhou força no Brasil e já mobiliza empresários, sindicatos e representantes do setor. A proposta surge como alternativa ao possível fim da escala 6×1 e prevê a ampliação do modelo de trabalho intermitente.
Supermercados defendem salário por hora como alternativa
O setor supermercadista quer adotar o pagamento por horas trabalhadas como forma de reduzir impactos operacionais. A ideia, segundo representantes nacionais, é criar uma nova opção além do modelo tradicional mensalista.
Nesse contexto, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, pretende defender uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permita esse tipo de contratação. A proposta deve ser apresentada em reunião com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
De acordo com Galassi, o modelo traz mais flexibilidade. Além disso, ele acredita que o formato pode atrair principalmente trabalhadores mais jovens.
Situação no Espírito Santo ainda não tem consenso
No Espírito Santo, no entanto, o tema ainda divide opiniões. A Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) preferiu não se posicionar neste momento.
A entidade informou que aguarda a definição sobre mudanças na escala de trabalho antes de adotar qualquer medida.
Empresários testam escala 5×2 como alternativa
Enquanto isso, alguns empresários capixabas já testam alternativas. O diretor-presidente do Grupo Coutinho, Luiz Coutinho, afirmou que vê o regime intermitente com cautela.
Segundo ele, a adoção da escala 5×2, mantendo a carga de 44 horas semanais, tem apresentado resultados positivos. Além disso, a mudança não gerou dificuldades na contratação de עובדים.
“Com a escala 5×2, tivemos aumento pequeno no número de contratações, entre 2% e 3%. Porém, se reduzirmos a jornada para 40 horas, esse percentual sobe para cerca de 10%, o que impacta diretamente os custos”, explicou.
Trabalho intermitente divide opiniões no setor
O modelo de trabalho intermitente permite que o funcionário atue apenas quando há demanda. Nesse formato, o pagamento ocorre por hora trabalhada, com direitos proporcionais garantidos por lei.
Apesar disso, o Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES) se posiciona contra essa alternativa.
De acordo com a entidade, o piso salarial da categoria é definido por convenção coletiva. Portanto, o modelo por hora pode não se adequar à realidade do setor.
Além disso, o sindicato defende a substituição da escala 6×1 pela escala 5×2, considerada mais equilibrada para os trabalhadores.
Mudanças estruturais também entram no debate
Além das alterações na jornada, empresários avaliam outras estratégias. Entre elas estão a modernização de equipamentos, a otimização de processos e até a terceirização de serviços.
Essas medidas, segundo especialistas do setor, podem ajudar a reduzir custos e manter a competitividade diante de possíveis mudanças na legislação trabalhista.










