Governo adia fim do subsídio da gasolina, afirma ministro

Escalada no Oriente Médio leva à reavaliação da retirada do subsídio; imposto de exportação do petróleo em 12% será mantido

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- O Ministro da Fazenda, Dario Durigan |  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo federal vai adiar a retirada do subsídio da gasolina anunciada na semana passada. A decisão ocorre porque os novos ataques entre Estados Unidos e Irã aumentaram a preocupação com o mercado internacional de petróleo e com uma possível alta nos combustíveis.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a equipe econômica decidiu agir com cautela diante da instabilidade no Oriente Médio. Por isso, a retirada do benefício será reavaliada na próxima semana.

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Petróleo em alta

Além disso, a valorização do petróleo mudou o cenário previsto inicialmente pelo governo. De acordo com Durigan, o barril voltou a atingir cerca de US$ 80, o que levou o Executivo a reconsiderar o momento para encerrar o subsídio.

“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio”, afirmou o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.

Enquanto isso, integrantes da equipe econômica informaram que o imposto de exportação sobre o petróleo bruto, atualmente em 12%, será mantido.

Conflito internacional

A decisão do governo acontece após os Estados Unidos realizarem novos ataques contra alvos militares no Irã. Com isso, o frágil cessar-fogo firmado entre os dois países perdeu força.

Além do conflito, os americanos afirmam que o Irã atacou navios comerciais que circulavam pelo estreito de Hormuz. Por sua vez, a passagem é considerada estratégica porque transporta aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.

Dessa forma, a possibilidade de bloqueio do estreito aumentou a preocupação com o preço dos combustíveis. Nesta quinta-feira (9), por exemplo, o barril abriu o mercado com alta de 2%.

Histórico dos subsídios

Anteriormente, em março, o governo criou medidas para conter o aumento dos combustíveis provocado pela guerra no Irã e pela ameaça de paralisação dos caminhoneiros.

Na ocasião, o pacote incluiu a retirada do PIS/Cofins sobre o diesel e um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores.

Posteriormente, em maio, o Executivo anunciou uma nova subvenção para a gasolina, com pagamento de R$ 0,89 por litro utilizando recursos da União.

No entanto, após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o governo havia anunciado que começaria a retirar gradualmente o benefício.

Mistura de etanol

Além da discussão sobre o subsídio, o ministro Dario Durigan afirmou que o aumento da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve entrar em vigor nos próximos dias.

Inicialmente, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que definiria a mudança, estava prevista para esta quarta-feira (8). Entretanto, o encontro foi adiado por causa da guerra no Oriente Médio.

Ainda assim, segundo Durigan, a alteração continua prevista. Dessa maneira, o governo apenas aguarda uma avaliação sobre possíveis novas medidas antes da implementação.