Região do cérebro pode estar por trás de alguns casos de hipertensão

Estudo com ratos indica que neurônios ligados à respiração também podem contrair vasos sanguíneos e elevar a pressão arterial

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 04 10t102459 270
Foto: Getty Images -

Estudo aponta novo mecanismo cerebral ligado à hipertensão

Pesquisadores identificaram um possível mecanismo no cérebro que pode ajudar a explicar por que algumas pessoas continuam com pressão alta mesmo usando medicamentos. O estudo indica que uma pequena região do tronco encefálico, chamada parafacial lateral (pFL), pode contribuir para o desenvolvimento de certos casos de hipertensão.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e publicada na revista Circulation Research em 17 de dezembro de 2025.

Relação entre respiração e pressão arterial

Além disso, os cientistas observaram que a região parafacial lateral está diretamente ligada ao controle da respiração. Ela atua principalmente em expirações mais intensas, como durante exercícios físicos, tosse ou riso.

No entanto, os experimentos mostraram que esses neurônios também influenciam o sistema cardiovascular. Durante testes em ratos, os pesquisadores perceberam que a ativação desses neurônios altera o padrão respiratório e, ao mesmo tempo, provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que eleva a pressão arterial.

Ativação neural e resposta do organismo

Para investigar melhor esse processo, os pesquisadores utilizaram técnicas de engenharia genética que permitem ativar ou desativar neurônios específicos. Dessa forma, ao estimular os neurônios da pFL, eles observaram a ativação de circuitos ligados ao sistema nervoso simpático, o que levou ao aumento da pressão arterial nos animais.

O sistema nervoso simpático, por sua vez, é responsável pela resposta de “luta ou fuga” e controla diversas funções do organismo. Entre elas, está a regulação dos vasos sanguíneos.

Por outro lado, quando os cientistas reduziram a atividade desses neurônios em ratos com hipertensão, a pressão arterial voltou a níveis considerados normais.

Possível ligação com apneia do sono

Outro ponto importante do estudo envolve a apneia do sono. Os resultados ajudam a entender por que pessoas com essa condição apresentam maior risco de hipertensão.

Durante episódios de apneia, o nível de oxigênio no sangue diminui, enquanto o dióxido de carbono aumenta. Como resultado, esses fatores podem ativar os neurônios da região parafacial lateral. Assim, alterações respiratórias durante o sono podem estimular esse circuito cerebral e contribuir para o aumento da pressão arterial.

Próximos passos da pesquisa

Embora os resultados sejam promissores, o estudo foi realizado em animais. Portanto, ainda será necessário confirmar se o mesmo mecanismo ocorre em humanos.

Mesmo assim, os achados abrem novas possibilidades de investigação. Além disso, sugerem que sensores de oxigênio localizados nas artérias do pescoço, conhecidos como corpos carotídeos, podem se tornar alvos importantes para futuras estratégias de tratamento da hipertensão.