O problema da política partidária da Direita capixaba

Atitudes impensadas de algumas lideranças partidárias têm levado fortes nomes da disputa eleitoral para outros partidos

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 20
Foto: Divulgação. -

Recentemente, o ex-candidato a Prefeito de Cachoeiro, Léo Camargo, publicou em suas redes sociais um comunicado de mudança partidária após ter sido “convidado a se retirar” do PL. A partir de então, ele integra o quadro de filiados do União Brasil. Aparentemente, a divergência se deu pelo fato de ele ter afirmado apoio ao Callegari (DC), apesar de ter se posicionado também a favor da candidatura da Maguinha (PL). Cabe lembrar que, nas eleições deste ano, há duas vagas para o Senado, por isso, não haveria problema algum em declarar apoio político para dois nomes.

É fato que nas eleições de 2024 o PL saiu pequeno em termos de representatividade municipal, haja vista ter conquistado apenas cinco prefeituras. Léo Camargo foi o mais sucedido ao ter obtido o 2º lugar na disputa em Cachoeiro de Itapemirim.

Não obstante, é certo que há uma política partidária da parte da dirigência do PL que precisa ser repensada, haja vista se tratar do partido do ex-Presidente Bolsonaro, que continua sendo uma forte referência para a Direita no Brasil. Fica a seguinte pergunta: será que o ex-mandatário do Executivo Federal está a par do tipo de política partidária que está sendo praticada por sua sigla aqui no Espírito Santo e das consequências negativas que isso tem gerado?

É certo que não há como lograr qualquer êxito político em divergências que geram notórias rupturas dentro do próprio partido. O Mestre Jesus já ensinava que “[…] Todo

reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir”. (São Mateus 12, 25)

Outro fato que tem gerado rupturas dentro da própria Direita é a falta de democracia interna, ou seja, os filiados são tratados somente como números, não como seres pensantes e que têm muito a contribuir. A melhor ferramenta para aprimorar ideias e manter a unidade partidária é garantir que os membros possam manifestar suas concordâncias e discordâncias, pois, na prática, serão eles que realizarão a campanha política e precisam estar motivados.

Não há como prosperar politicamente com uma equipe desprovida do direito de participar na construção das alianças partidárias e da composição de nomes para a disputa eleitoral. Infelizmente, isso tem sido a máxima da parte de alguns dirigentes partidários da Direita conservadora. Há talentos sendo desperdiçados e lideranças sendo descartadas sem direito à defesa.

Entendo as razões do porquê de alguns nomes fortes terem saído de um partido e migrado para outro. Quem, em sã consciência, depois de tanto lutar, vai se conformar em ser “escada” para alguém que viveu nos bastidores e distante dos conflitos do jogo político? Quem nunca assumiu publicamente a luta terá resistência quando as “pedradas” da disputa eleitoral vierem? Será que aquele que viveu na sombra e na água fresca terá boa retórica para bater de frente com os “Medalhões” da política, que são fortemente preparados, ou envergonhará ainda mais a sua sigla?

Existem vaidades que precisam ser superadas a fim de se compreender que a política partidária não deve ser levada ora como “briga de cão e gato”, ora como “disputa de egos”. No final das contas, quem perde é a própria Direita!

Isso vai fechar em 0 segundos