Enfim, Outono

Um encontro inesperado com a poesia de Mario Quintana em um jornal de classificados inspira uma reflexão sensível sobre o outono, suas nuances e significados.

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Imagem ilustrada e gerada por IA. -

Lendo um jornal de classificados, outro dia, porque precisava pesquisar algumas coisas, surpreendi-me com o que achei nele: um poema de Quintana. Não é normal encontrarmos poesia em jornal nenhum, quanto mais de classificados. E, mais importante, o poema é de Quintana.

E encontrar um poema já é bom. Encontrar um poema de Quintana, então… Trata-se de Canção de Outono: “O outono toca realejo / No pátio da minha vida. / Velha canção, sempre a mesma, / Sob a vidraça descida… // Tristeza? Encanto? Desejo? / Como é possível sabê-lo? / Um gozo incerto e dorido / De carícia a contrapelo…” (…)

Ah, Quintana, meu querido Quintana… Só você, para definir o outono, ainda que eu sinta uma certa melancolia nesses versos. Mas outono é isso mesmo: é transição, é a estação da indefinição ou da espera da definição que se dará logo adiante. O outono é a antessala do inverno, é quando a gente vai se preparando para o frio que vai chegar.

O outono tem dias cinzentos, outros nem tanto. E, este ano, novamente, o verão adentrou a nova estação e só tivemos o gostinho do outono semanas depois de ele ter começado. Muito quente.

No final da estação, algumas folhas começam a cair, mas também é quando as flores do jacatirão começam a desabrochar, abrindo brancas e tomando cor à medida que vão se abrindo.

“O outono toca realejo no pátio da minha vida”. Sim, há música no outono também. Os passarinhos vêm cantar no meu telhado, no meu jardim, na minha janela. “Tristeza, encanto?” Eu diria encanto, poeta. Uma carícia, sim, um encanto. Como o seu poema.

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