
Dias atrás, os católicos meditaram o Evangelho de João (10,11-18) sobre o Bom Pastor: disse Jesus: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge.”
Na Igreja Católica, o termo “pastor” é utilizado para o bispo, geralmente, mas o Catecismo (CIC 1535) diz que também se aplica ao presbítero e ao diácono. Fora da Igreja, banalizou-se, e qualquer um que queira se faz como Jesus, intitulando-se pastor.
Exercer o pastoreio do povo de Deus é uma função nobre, mas de grande responsabilidade. Não é preciso pensar muito para deduzir que o pastor de Cristo é, principalmente, um administrador da Palavra, da Graça e do dinheiro de Deus, não? E que o fiel é responsável pelas ações de um mau pastor.
Para administrar a Palavra, o pastor, atualmente, tem que saber bem a língua vernácula, o português, no nosso caso, especialmente para evitar erros graves como o daquele pastor que cometeu adultério crendo ser ordem de Deus. E tem que conhecer a língua original da Bíblia dos primeiros cristãos, o grego koiné; afinal, nenhuma tradução é boa o suficiente, sempre se perde alguma coisa. Para entender bem o contexto histórico tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, precisa estudar a história dos povos semitas, dos judeus e israelitas, dos cristãos, especialmente a Patrística, período dos primeiros intérpretes da Igreja. Também é preciso ter uma boa noção do hebraico para sanar dúvidas. Não precisa saber muito, sabe por quê? Infelizmente, o hebraico, até o século IX, não tinha vogais, ou seja, muitas palavras são escritas do mesmo jeito, dificultando a leitura e o entendimento corretos. Colocar sinais de vogais ou traduzir para o grego envolveu interpretação e escolha. É difícil entender a dimensão disso?
Para administrar a Graça, o pastor precisa estudar e entender os sete “mysterium” (como os discípulos dos apóstolos chamavam os ritos, aliás, prefigurados no Antigo Testamento, que o próprio Jesus deixou para a Igreja e que os patrísticos normalizaram e instituíram na “ekklesia kath holes” (At 9,31)). Também é preciso que o pastor entenda a diferença entre Sacramento (o tal mysterium, traduzido para o latim como sacramentum) e sacramental para bem aplicá-los. E celebrar o pão e o vinho (eucaristô, ação de graças) todos os dias, e não somente uma ou duas vezes por semana. O pastor precisa saber disso tudo e cumprir.
Ao pagar o dízimo à Igreja, o fiel tem a noção de que não é obrigatório aplicar aquela situação da Bíblia (10%) à Igreja de Cristo? É bíblico, mas não se deve seguir ao pé da letra. Ou alguém apedreja todo pecador até a morte conforme Êxodo e Deuteronômio? Matar o pecador é tão bíblico quanto pagar o dízimo.
O fiel deve sustentar a Igreja de Deus voluntariamente, no que puder e quiser, conforme vemos nos escritos de Justino Mártir, em Apologia I, em 156 d.C., e de Tertuliano, em Apologético, em 197 d.C.
Se o pastor usa o dízimo de Deus para seu luxo pessoal, ele serve à riqueza (Mt 6,24), e o fiel peca também, pois se torna cúmplice ao financiar o pecado dele.










