
As mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool voltaram a crescer no Brasil após anos de queda. Um levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) mostra que, em 2024, o país registrou 6,2 mortes por 100 mil habitantes em acidentes associados à ingestão de bebidas alcoólicas. O índice é o maior desde 2016.
Além disso, o número total de vítimas fatais chegou a 13.075 em 2024, representando aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. Os dados reforçam a preocupação de especialistas justamente quando a Lei Seca completa 18 anos de vigência no país.
Segundo a socióloga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, um dos fatores que podem explicar o crescimento dos índices é o aumento expressivo da frota de motocicletas desde a pandemia. Enquanto o número de motos cresceu cerca de 20% entre 2019 e 2024, a frota de automóveis avançou em ritmo menor.
MOTOCICLISTAS ESTÃO ENTRE AS PRINCIPAIS VÍTIMAS
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os motociclistas representaram cerca de 40% das mortes no trânsito registradas em 2023. Para especialistas, a combinação entre maior circulação de motos e motoristas alcoolizados aumenta os riscos de acidentes graves.
Além disso, muitos motociclistas trabalham diariamente em atividades de entrega e enfrentam longas jornadas nas ruas. Consequentemente, qualquer redução na atenção ou nos reflexos pode ampliar ainda mais os riscos.
O estudo também revelou que homens representam a maior parte das vítimas. Eles correspondem a 86,7% das mortes relacionadas ao álcool no trânsito e a 81,8% das hospitalizações registradas.
FISCALIZAÇÃO AUMENTOU
Mesmo com o crescimento das ocorrências, os órgãos de trânsito ampliaram as ações de fiscalização. Em São Paulo, por exemplo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) mais que dobrou o número de operações da Lei Seca.
Enquanto em 2024 ocorreram 565 blitze, em 2025 o número chegou a 1.272 operações. Da mesma forma, as autuações por alcoolemia passaram de 12,8 mil para cerca de 20 mil no período.
Segundo especialistas, a fiscalização continua sendo uma ferramenta importante. No entanto, eles defendem ações integradas de educação, prevenção e conscientização para reduzir os índices de mortalidade.
LEI SECA CONTINUA RÍGIDA
Atualmente, dirigir sob influência de álcool é infração gravíssima. O motorista flagrado pode receber multa de R$ 2.934,70, perder o direito de dirigir por 12 meses e, em casos mais graves, responder criminalmente.
Quando o teste do bafômetro aponta índice igual ou superior a 0,34 mg/l de álcool por litro de ar expelido, o caso passa a ser tratado como crime de trânsito. Nessa situação, a pena pode chegar a três anos de detenção.
Especialistas afirmam que a Lei Seca salvou milhares de vidas ao longo dos últimos anos. Entretanto, defendem que novas estratégias de educação e conscientização sejam adotadas para enfrentar os desafios atuais da mobilidade urbana e reduzir ainda mais as mortes nas estradas brasileiras.










