
A cardiopatia congênita é uma das malformações mais frequentes da infância e afeta milhões de crianças em todo o mundo. No Brasil, a condição acomete entre oito e dez bebês a cada mil nascidos vivos. Além disso, mais de 21 mil crianças precisam de intervenções cirúrgicas para sobreviver, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
A doença surge ainda durante a formação do bebê no útero e provoca alterações na estrutura ou no funcionamento do coração. Embora a criança já nasça com a condição, o diagnóstico nem sempre ocorre imediatamente. Em alguns casos, os sintomas aparecem apenas meses ou anos depois, especialmente quando as alterações são menos graves.
Por isso, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce. Quanto antes a cardiopatia congênita for identificada, maiores são as chances de iniciar o tratamento adequado e evitar complicações futuras.
COMO A CARDIOPATIA CONGÊNITA SURGE
Durante as primeiras semanas da gestação, o coração do bebê passa por um processo complexo de formação. No entanto, alterações nesse desenvolvimento podem provocar defeitos cardíacos que comprometem a circulação sanguínea e o funcionamento do órgão.
Segundo o cardiologista e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Goiânia, Dr. Anderson Estevan, a maioria dos casos não possui uma causa hereditária claramente definida. Conforme explica o especialista, diversos fatores podem estar envolvidos.
“Muitas vezes, a origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, maternos, ambientais ou causas que ainda não são completamente conhecidas”, afirma.
Entre as cardiopatias congênitas mais comuns estão a comunicação interatrial (CIA), a comunicação interventricular (CIV), a persistência do canal arterial (PCA), a Tetralogia de Fallot, a coarctação da aorta e a transposição das grandes artérias.
SINTOMAS EXIGEM ATENÇÃO
Os sinais variam de acordo com o tipo e a gravidade da cardiopatia. Nos bebês, os sintomas mais frequentes incluem cansaço durante as mamadas, dificuldade para ganhar peso, respiração acelerada, suor excessivo e coloração arroxeada nos lábios ou na pele.
Já em crianças maiores e adultos, podem surgir falta de ar, cansaço aos esforços, palpitações, tonturas e episódios de desmaio. Entretanto, algumas alterações permanecem silenciosas por muitos anos.
Dessa forma, exames de rotina e avaliações médicas tornam-se fundamentais para identificar a doença precocemente.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico pode ocorrer ainda durante a gestação por meio da ultrassonografia obstétrica e do ecocardiograma fetal. Após o nascimento, os médicos podem solicitar exame físico, teste do coraçãozinho, eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiograma.
O tratamento depende da gravidade do problema. Em alguns pacientes, o acompanhamento clínico é suficiente. Em outros, entretanto, podem ser necessários medicamentos, procedimentos por cateterismo ou cirurgias cardíacas.
“Muitas cardiopatias podem ser corrigidas ou tratadas cirurgicamente, permitindo uma vida mais saudável e reduzindo o risco de complicações futuras”, destaca o especialista.
ACOMPANHAMENTO AO LONGO DA VIDA
Mesmo após o tratamento, pacientes com cardiopatia congênita devem manter acompanhamento médico regular. Afinal, algumas alterações exigem monitoramento contínuo para avaliar o funcionamento do coração e prevenir novas complicações.
Além disso, hábitos saudáveis fazem diferença na qualidade de vida. Alimentação equilibrada, prática de atividades físicas orientadas, controle da pressão arterial e abandono do tabagismo contribuem para a saúde cardiovascular.
Por fim, especialistas ressaltam que a conscientização sobre a cardiopatia congênita é essencial. Dessa maneira, mais casos podem ser identificados precocemente e tratados de forma adequada.










