
Caiu em minhas mãos uma interessante análise de outubro do ano passado sobre o chamado milagre educacional do estado do Mississippi, nos Estados Unidos, feita pela Dra. Laurie Todd-Smith, que foi professora de escola pública de ensino fundamental e pré-escola, tendo trabalhado em vários estados.
O Mississippi, conhecido por ter “quatro olhos” (piada com os 4 “i’s”, que em inglês têm a mesma pronúncia de “eyes”, olhos), estava em último lugar, entre os cinquenta estados, em quase todas as pontuações educacionais em 2012. Mais da metade dos alunos do terceiro ano não conseguia ler com proficiência.
Em 2013, vejam e aprendam: os deputados dos dois partidos se juntaram ao governador Phil Bryant, que não apenas sancionou a Lei de Promoção Baseada em Alfabetização (Literacy-Based Promotion Act), como também a defendeu com entusiasmo. A lei exigiu que os professores utilizassem o ensino de fonética (phonics), um método de alfabetização em inglês que ensina a relação entre sons (fonemas) e letras (grafemas), permitindo a decodificação de palavras.
Esse método foca no ensino dos sons das letras e em como combiná-los para ler, em vez de memorizar palavras inteiras, promovendo autonomia na leitura e na escrita. Ele se assemelha ao método com o qual fui alfabetizado no final dos anos 1960.
A lei reconstruiu o sistema de alfabetização precoce a partir da sala de aula, exigindo que todo professor do jardim de infância ao 3º ano (K-3) fosse recapacitado em instrução de leitura baseada em evidências, por meio do treinamento LETRS (Language Essentials for Teachers of Reading and Spelling). Além disso, determinou que treinadores de leitura fossem designados para os distritos com pior desempenho, com o objetivo de modelar a instrução e fornecer avaliação diária aos professores.
Os programas de educação infantil foram alinhados com as metas do K-3, garantindo que as crianças chegassem ao jardim de infância preparadas para aprender. Pela primeira vez, cada distrito utilizou a mesma ferramenta universal de triagem nos primeiros 30 dias do jardim de infância.
Além disso, os alunos passaram a ser avaliados três vezes ao ano no jardim de infância e no primeiro, segundo e terceiro anos, garantindo que dados padronizados fossem utilizados para orientar decisões pedagógicas.
Quando uma criança não atingia o desempenho esperado na avaliação do terceiro ano, a repetência era estruturada de forma diferente. O aluno com dificuldade de leitura passava por uma experiência totalmente reformulada durante a repetição do terceiro ano.
Esses alunos eram acompanhados por professores altamente qualificados, recebiam 60 minutos diários de instrução intensiva de leitura em grupos menores e seguiam um Plano de Leitura Individualizado, desenvolvido em colaboração com a família. Essas intervenções não eram punições, mas sim uma remediação focada, projetada para mudar a trajetória da criança antes que o fracasso se tornasse permanente.
O resultado foi expressivo: as notas de leitura do quarto ano na avaliação nacional melhoraram, saindo da 50ª posição para a 9ª em uma década. Em 2024, o estado manteve os resultados, enquanto a média nacional apresentou queda.










