Médico alerta para perigo do uso excessivo de colírio e risco de glaucoma

Dia Nacional da doença, celebrado nesta terça-feira, reforça cuidados como a prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento oftalmológico

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- Foto: Canva

O glaucoma segue como a principal causa de cegueira irreversível no mundo e representa um dos maiores desafios da saúde ocular. O Dia Nacional do Glaucoma, celebrado nesta terça-feira (26), reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico regular.

A doença compromete progressivamente o nervo óptico e, na maioria dos casos, aparece associada ao aumento da pressão intraocular. Sem tratamento adequado, o glaucoma pode provocar perda permanente da visão.

Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), cerca de 111,8 milhões de pessoas poderão conviver com a doença até 2040. Além disso, aproximadamente 11 milhões podem desenvolver cegueira bilateral em decorrência do problema.

De acordo com o oftalmologista Romar Vallory, do Hospital de Olhos de Vitória, o principal desafio envolve justamente o avanço silencioso da doença.

“Em muitos casos, o paciente só percebe alterações quando parte da visão já foi comprometida. O glaucoma não costuma causar dor nem sintomas evidentes no começo”, explicou o médico.

O especialista reforçou ainda que consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais, principalmente para pessoas acima dos 40 anos, pacientes com histórico familiar da doença, diabéticos, hipertensos, míopes e pessoas negras.

Uso de colírios com corticoide exige atenção

Além da predisposição genética e do envelhecimento, Romar Vallory alertou para fatores que podem favorecer o desenvolvimento do glaucoma. Entre eles está o uso inadequado de corticosteroides, especialmente em colírios e pomadas oftalmológicas.

Segundo o médico, esses medicamentos podem elevar a pressão intraocular, sobretudo quando usados por longos períodos ou sem orientação médica.

“O uso de colírios com corticoide sem acompanhamento é mais comum do que parece. Muitas pessoas recorrem aos medicamentos para aliviar vermelhidão, alergias ou desconfortos oculares e acabam se expondo a um risco importante”, destacou.

Ainda conforme o especialista, o aumento da pressão ocular pode ocorrer de forma gradual e silenciosa, favorecendo danos irreversíveis ao nervo óptico.

Corticoides também podem favorecer catarata

O médico explicou ainda que o uso prolongado de corticoides também pode favorecer o surgimento da catarata.

Embora exista tratamento cirúrgico para a doença, especialistas destacam que muitos casos poderiam ser evitados com orientação adequada e uso racional dos medicamentos.

Além disso, o acompanhamento médico reduz impactos na qualidade de vida dos pacientes e também evita sobrecarga no sistema de saúde.

“O glaucoma tem tratamento e controle, mas não tem cura. Quanto mais cedo identificarmos a doença, maiores serão as chances de preservar a visão e garantir qualidade de vida ao paciente”, finalizou Romar Vallory.

Medico Oftalmologista Romar Vallory Do Hospital De Olhos De Vitoria
Médico oftalmologista Romar Vallory. Foto: Divulgação

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