
Por Jackson Rangel
O projeto eleitoral do governador Renato Casagrande (PSB) entra, cada vez mais, em zona de risco. O problema nasce dentro do próprio governo.
Isso ocorre porque células políticas atuam fora da estratégia central. Além disso, operam movidas por interesses difusos e disputas locais. Como resultado, produzem efeitos colaterais perigosos.
Nesse cenário, Cachoeiro de Itapemirim se torna o exemplo mais claro. O município é base política de Ricardo Ferraço (MDB). Ele é pré-candidato ao governo e peça-chave no plano sucessório de Casagrande.
Ainda assim, setores ligados ao governo estadual toleram, ou até estimulam, ataques à gestão de Theodorico Ferraço (PP). Ele é pai de Ricardo. Com isso, o governo expõe descoordenação interna e imprudência política.
Não se trata de divergência administrativa. Trata-se, portanto, de fogo amigo. E, em política, fogo amigo costuma ser letal.
Ao permitir esse avanço, o governo sinaliza fragilidade de comando. Além disso, demonstra falha na leitura do território. Como consequência, ataques locais contaminam alianças estratégicas. Também corroem o discurso de unidade.
Vale lembrar que nada está ganho. Não há vaga garantida. Nem para o Senado. Nem para o Palácio Anchieta.
Mesmo assim, parte do grupo age como se o favoritismo fosse definitivo. Entretanto, favoritismo não é blindagem.
A história recente mostra isso com clareza. Projetos sólidos ruem quando a soberba substitui a estratégia. Por isso, o alerta é necessário.
Casagrande construiu capital político com equilíbrio. Também com articulação. No entanto, equilíbrio exige controle. E articulação exige comando.
Caso contrário, interesses menores seguirão pautando decisões maiores. Nesse ritmo, o risco deixa de ser teórico. Passa a ser real.
Em ano eleitoral, a imprudência cobra caro. E cobra rápido.











