
Fiscais do trabalho resgataram uma mulher de 62 anos em Fortaleza (CE). A idosa trabalhou por mais de cinco décadas como empregada doméstica para a mesma família sem receber salário. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ela vivia em condições análogas à escravidão desde a infância. Nesse período, a trabalhadora atendeu três gerações da mesma família. Ela acumulava tarefas domésticas e cuidados com crianças, mas não tinha autonomia financeira.
Apesar de trabalhar desde os sete anos, a mulher nunca recebeu um salário regular. Inclusive, durante a operação, ela cuidava de duas crianças, preparava refeições e limpava toda a casa. Por isso, os auditores do trabalho concluíram que a situação configurava uma grave violação à dignidade humana. Além disso, eles estimam que os direitos acumulados da trabalhadora ultrapassam R$ 1,5 milhão. Esse valor inclui salários atrasados, férias, 13º salário e FGTS.
Em seguida, o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os empregadores. O acordo prevê o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a compra de um imóvel de ao menos R$ 150 mil. Do mesmo modo, os patrões devem regularizar as contribuições previdenciárias. Eles também pagarão uma complementação de até R$ 12 mil caso a vítima não se aposente aos 64 anos. Por fim, a Polícia Federal e a equipe psicossocial da Secretaria de Direitos Humanos do Ceará apoiaram a ação.










