Cúpula política articula pacto entre Poderes para conter investigações no ano eleitoral

Negociações avançam nos bastidores de Brasília e levantam críticas sobre interferência institucional em meio às eleições

Uma articulação política envolvendo governo federal, Congresso Nacional e Judiciário avança nos bastidores de Brasília. Nesse cenário, lideranças discutem um entendimento informal para administrar o impacto de investigações em andamento. Ao mesmo tempo, o calendário eleitoral impõe pressa às decisões.

Com a retomada dos trabalhos no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF), a atenção se voltou para apurações sensíveis. Entre os principais focos, aparecem os casos do Banco Master e de suspeitas de desvios de emendas parlamentares. Por isso, cresce o temor de que os desdobramentos atinjam nomes relevantes às vésperas das eleições.

negociação em torno das CPIs

Nos bastidores do Congresso, a principal negociação envolve duas frentes distintas. De um lado, está a CPMI do INSS, que segue até o fim de março e preocupa o núcleo político do governo e parlamentares do PT. De outro, avança a tentativa de barrar a instalação da CPI do Banco Master, defendida por líderes do Centrão.

Segundo apuração, a troca em discussão prevê a não prorrogação da CPMI do INSS em troca do bloqueio da CPI do Master. Nesse sentido, dirigentes do Centrão e setores do PT intensificam a costura política. Assim, o objetivo é reduzir frentes simultâneas de desgaste em um ano pré-eleitoral.

Nesta semana, por sua vez, a CPMI do INSS retoma os trabalhos. Entre as medidas avaliadas, está a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Enquanto isso, a oposição pretende aprofundar a investigação sobre a relação dele com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

interesses cruzados

Sob pressão por investigações ligadas a emendas, o Congresso envia um recado direto ao Planalto. Parlamentares reforçam que o governo depende do Legislativo para aprovar pautas estratégicas. Entre elas, aparecem propostas com impacto eleitoral, como o fim da escala 6×1.

Ao mesmo tempo, interessa ao governo avançar com a indicação de Jorge Messias para o STF. Por essa razão, aliados avaliam que o ritmo das investigações influencia a governabilidade. Ainda assim, técnicos lembram que órgãos como a Polícia Federal mantêm autonomia e não se submetem a acordos políticos.

relação com o Judiciário

No campo judicial, por outro lado, o Planalto acompanha de perto a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesse contexto, o tribunal terá Nunes Marques na presidência e André Mendonça na vice durante o processo eleitoral, além da participação de Dias Toffoli.

Segundo interlocutores, porém, o governo teme que desgastes com o STF prejudiquem a governabilidade. Esse incômodo, inclusive, se intensificou após o caso Banco Master e a atuação de Toffoli no inquérito. Além disso, ministros do Supremo já relataram desconforto com o que consideram falta de apoio político do presidente Lula.

cenário político

Diante desse quadro, portanto, o ambiente político segue tensionado. Por ora, resta observar se as articulações em curso conseguirão reduzir a pressão institucional. Caso contrário, as investigações devem manter o ritmo. Assim, o impacto político tende a se intensificar à medida que as eleições de 2026 se aproximam.