
Queda no número de passageiros em 2026
A retração na demanda não é exclusividade local, mas os números em Cachoeiro preocupam. Apenas no primeiro trimestre de 2026, houve uma queda de 5% no total de passageiros pagantes em relação ao ano anterior.
Especialistas apontam que a mudança no comportamento do usuário é o principal fator. Entre os motivos para o esvaziamento dos ônibus, destacam-se:
- Crescimento dos transportes por aplicativo;
- Popularização das bicicletas elétricas;
- Aumento do trabalho remoto (home office);
- Maior uso de veículos particulares.
O impacto da crise dos combustíveis
Se por um lado a receita cai, por outro, o custo para manter os ônibus circulando disparou. O óleo diesel, que representa cerca de 30% dos custos totais do setor, registrou um aumento de 33% entre dezembro de 2025 e março de 2026.
De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), essa instabilidade é reflexo do cenário internacional. O agravamento de conflitos no Oriente Médio em fevereiro de 2026 desestabilizou a oferta global, gerando episódios de escassez e dificuldades de abastecimento para as frotas urbanas.
“Tem sido um desafio diário conseguir adquirir combustível para viabilizar a operação”, afirma Jeberson Lima, gestor operacional do sistema em Cachoeiro.
Desequilíbrio Financeiro: Tarifas vs. Inflação
Um dos pontos centrais da crise é o descompasso entre o custo do serviço e o valor da passagem. Em 2026, o reajuste tarifário em Cachoeiro foi de apenas 2,26%, índice que não acompanha a inflação do setor e, principalmente, não cobre a alta acumulada do combustível e dos insumos básicos, como pneus e manutenção.
Comparativo de Custos (2026)
| Item | Impacto / Aumento |
| Óleo Diesel | +33% (Dez/25 a Mar/26) |
| Passageiros Pagantes | -5% (1º Trimestre) |
| Reajuste Tarifário | +2,26% |
Futuro do Transporte Público
O cenário em Cachoeiro reflete uma crise estrutural que atinge outras cidades capixabas. Em Vitória, o Sistema Transcol também registrou queda de 5,75% no fluxo de usuários pelo mesmo motivo: a migração para modais mais flexíveis.
O debate para o restante de 2026 deve focar na rediscussão do modelo de financiamento. Entidades do setor defendem que a tarifa paga pelo usuário já não é suficiente para sustentar o sistema sozinha, exigindo novas soluções de subsídios ou parcerias para evitar o colapso do atendimento à população.










