
A proposta de criação de uma comissão externa na Câmara dos Deputados para acompanhar o caso do cão Orelha ganhou força nos últimos dias. Isso ocorreu após a Promotoria de Santa Catarina solicitar novas diligências à Polícia Civil para concluir o parecer final da investigação.
Além disso, o requerimento passou a figurar entre os mais comentados no site da Câmara. Entre os dias 2 e 8 de abril, o projeto registrou a quarta maior interação entre todas as propostas em tramitação.
O pedido foi protocolado em janeiro pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL/SP). A iniciativa prevê a criação de uma comissão externa para fiscalizar a investigação. O objetivo, segundo o texto, é garantir uma apuração isenta, diante de suspeitas de interferência de familiares de adolescentes envolvidos.
No entanto, o requerimento não detalha como a comissão seria formada nem quais parlamentares participariam.
Caso gerou comoção nacional
O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro, em Florianópolis, após sofrer um ataque na madrugada anterior. Moradores resgataram o animal com ferimentos graves e o levaram a uma clínica veterinária, mas ele não resistiu.
Durante a investigação, a Polícia Civil reuniu imagens que mostram um adolescente saindo de um condomínio por volta das 5h25 e retornando às 5h58. De acordo com a corporação, o ataque teria ocorrido por volta das 5h30.
Com base nesses elementos, a polícia solicitou a internação do jovem. Por outro lado, a defesa nega qualquer envolvimento e afirma que não há provas concretas. Além disso, os advogados apontam a circulação de desinformação nas redes sociais.
Familiares dos adolescentes investigados também relatam ameaças virtuais e exposição de dados pessoais, o que ampliou a tensão em torno do caso.
Laudo não confirma causa da morte
O laudo pericial, realizado após a exumação do corpo, não identificou a causa da morte do animal. Ainda assim, o documento também não descartou a possibilidade de trauma.
Por outro lado, os peritos afirmaram que não encontraram fraturas ou lesões compatíveis com agressão humana. Além disso, descartaram a presença de pregos na cabeça do animal, informação que circulou anteriormente nas redes sociais.
Ministério Público pede novas diligências
Na quinta-feira (9), o Ministério Público de Santa Catarina informou que solicitou uma nova diligência específica. O órgão, no entanto, não detalhou o conteúdo da medida.
Segundo a Promotoria, o caso reúne um volume significativo de provas. Por isso, exige uma análise cuidadosa antes da conclusão.
“O caso conta com um vasto conjunto de provas, o que exige uma avaliação criteriosa e aprofundada”, informou o órgão em nota.
Além disso, o MP destacou que a nova diligência busca garantir que nenhuma informação relevante fique de fora da decisão final.
Repercussão nas redes e pressão por respostas
A nova movimentação provocou forte repercussão nas redes sociais. Perfis ligados à causa animal passaram a questionar a possibilidade de atraso na conclusão da investigação.
Ao mesmo tempo, o caso já motivou a apresentação de 25 projetos de lei relacionados à proteção animal na Câmara dos Deputados. Também houve protestos em diversas cidades do país.
Outras investigações seguem em andamento
Paralelamente, a Justiça de Santa Catarina suspendeu, em março, a investigação sobre a conduta do ex-delegado-geral Ulisses Gabriel.
Mesmo assim, o Ministério Público instaurou um novo inquérito para apurar possíveis irregularidades. A apuração busca verificar suspeitas de abuso de autoridade, vazamento de informações sigilosas e improbidade administrativa.










