
Entre as gerações economicamente ativas, os nativos digitais da Geração Z são os que mais consomem informação pela internet, mas essa habilidade não está se traduzindo em consciência financeira. Apesar de investirem mais do que a média dos brasileiros, os jovens entre 18 e 24 anos aplicam em opções pouco rentáveis, compram por impulso e demonstram desilusão quanto à possibilidade de adquirir patrimônio.
Um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) revelou que 52% dos jovens de 18 a 24 anos têm dinheiro guardado, volume acima da média nacional de 36% apontada pelo Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). O dado contraria o estereótipo de uma geração que só sabe consumir e mostra que existe, sim, uma preocupação com reserva financeira.
Entretanto, o mesmo estudo da CNDL aponta que a maioria dos jovens guarda os valores na poupança ou na própria conta corrente, opções que oferecem pouca ou nenhuma rentabilidade. Em relação ao futuro, apenas 19% guardam para comprar a casa própria e somente 25% se preparam para a aposentadoria. Ou seja, há esforço de poupança, mas falta o segundo passo, que é transformar esse esforço em construção de patrimônio.
A tendência de não fazer planos de longo prazo e ceder ao imediatismo ganhou um nome entre especialistas, o “doom spending”, algo como “gastos do fim do mundo”. O termo faz referência à visão pessimista que os jovens têm do futuro, alimentada pelo medo de nunca conseguirem comprar um carro ou uma casa, ou mesmo de presenciar uma espécie de “fim da humanidade”, seja por crise climática, instabilidade econômica ou conflitos geopolíticos. Se o amanhã parece incerto demais, gastar hoje vira uma resposta emocional compreensível, ainda que financeiramente ruim.
Consórcio como aliado da consciência financeira
Por outro lado, parte expressiva dos jovens tem buscado alternativas para escapar da armadilha do doom spending, lidar com os gastos impulsivos e conquistar bens de alto valor sem entrar em dívidas que se arrastam por anos.
No Brasil, muitos estão encontrando essa saída no consórcio, um modelo de financiamento genuinamente nacional. A modalidade tem se destacado justamente por oferecer uma perspectiva concreta de conquista, sem o peso dos juros do crédito tradicional, trocando o desejo imediato pela certeza de longo prazo. Em vez de pagar caro pela pressa, o consorciado investe na disciplina, em um exercício prático de consciência financeira que se encaixa bem no perfil de quem já demonstrou disposição para guardar dinheiro, mas ainda procura o caminho certo para fazê-lo render.
O funcionamento do consórcio também ajuda a explicar por que o modelo dialoga tão bem com essa geração. Sem juros e com parcelas previsíveis do começo ao fim, o consorciado sabe exatamente quanto vai pagar e por quanto tempo, uma transparência que contrasta com a opacidade de muitos financiamentos tradicionais, em que o custo total só fica claro depois de meses de pagamento. Para uma geração que cresceu acostumada a comparar preços, ler avaliações e desconfiar de letras miúdas, essa clareza tem um valor importante.
Há, ainda, o elemento comportamental, uma vez que a parcela entra na rotina como um compromisso fixo, o que transforma a poupança em hábito sem depender da força de vontade do consorciado mês a mês. Para quem reconhece a própria tendência ao consumo por impulso, e os jovens da Geração Z costumam reconhecer isso com bastante honestidade, esse “empurrão” faz diferença, sobretudo por se tratar de um modelo que que protege o próprio dinheiro de decisões momentâneas.
Vale destacar também a flexibilidade do consórcio, que, atualmente, cobre uma infinidade de bens, e não mais apenas o carro ou o imóvel. Essa diversidade de objetivos conversa diretamente com uma geração que projeta seu patrimônio para além do binômio “casa e carro”, e que muitas vezes pensa em construir negócio próprio, investir na própria formação ou financiar projetos pessoais que não se encaixam nas categorias tradicionais de crédito.
O comportamento da Geração Z
No geral, a busca proativa dos jovens por alternativas para construir patrimônio deve servir como um importante alerta ao mercado. O pessimismo frequentemente atribuído à Geração Z é fruto da percepção de que os caminhos tradicionais para a construção de patrimônio ficaram mais estreitos, caros e desafiadores, não da falta de ambição.
Diante dessa realidade, é preciso desenvolver soluções que tornem a aquisição de bens duráveis mais acessível, ao mesmo tempo em que permitam que o consumidor transforme a consciência financeira em patrimônio de longo prazo. Por isso, modelos que valorizem a previsibilidade, o comprometimento financeiro consciente e a construção gradual de riqueza tendem a encontrar cada vez mais aderência junto a esse público.
Mais do que consumidores imediatistas, os jovens de hoje buscam alternativas que ofereçam equilíbrio entre acesso, planejamento e construção de riqueza. Assim, compreender essa diferença é o primeiro passo para transformar o pessimismo em confiança, para alcançar a consciência financeira e, finalmente, conquistar patrimônio..











