
Uma agência de turismo da Serra, na Grande Vitória, entrou na mira da Polícia Civil após clientes denunciarem supostos golpes na venda de pacotes de viagens. Segundo as vítimas, a empresa cancelava excursões perto da data marcada, não confirmava reservas prometidas e deixava de devolver integralmente os valores pagos.
A polícia já recebeu pelo menos 20 boletins de ocorrência contra a empresa nos últimos meses. As denúncias envolvem clientes da Grande Vitória e também moradores de cidades do interior do Espírito Santo, como Colatina e Linhares.
Diante das reclamações, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso.
A empresa Nana Turismo, administrada por Viviane Lucas de Menezes, informou que atua com atividades reduzidas por causa de um processo de reestruturação financeira. Além disso, declarou que busca resolver as pendências com os clientes.
Clientes relatam prejuízos e viagens canceladas
A confeiteira Bete Viegas afirmou que começou a pagar uma viagem em 2024 para realizar o passeio no ano seguinte. Após a morte do marido, ela tentou remarcar a excursão algumas vezes. No entanto, passou a desconfiar da empresa e pediu o reembolso.
Segundo Bete, a agência nunca devolveu o dinheiro.
“Primeiro fui ao Procon. Como ela não respondeu nenhuma das solicitações, me orientaram a registrar boletim de ocorrência e procurar a Justiça”, contou.
Depois disso, Bete descobriu que a excursão sequer aconteceu. Conforme o relato, a empresa cancelou a viagem apenas dois dias antes da data prevista.
Outro cliente, que preferiu não se identificar, contou que pagou mais de R$ 2 mil por um pacote turístico que também não saiu do papel.
“Ela alegava problemas familiares ou questões climáticas. Porém, quando a gente ligava para a pousada, descobria que não existia reserva. Pedi o reembolso porque perdi a confiança. Recebi apenas uma parte do valor e ainda aguardo o restante”, afirmou.
Mulher diz que descobriu falta de reserva em hospedagem
Uma mulher que também registrou reclamação afirmou que planejava comemorar o aniversário durante uma viagem marcada para o feriado do Dia do Trabalhador, em maio deste ano. Entretanto, a agência cancelou o passeio.
Segundo ela, ao entrar em contato com a hospedagem incluída no pacote, descobriu que o local não possuía qualquer reserva confirmada.
“Ela dizia que seria uma data inesquecível. E realmente foi, mas pela frustração e ansiedade”, declarou.
Denunciantes afirmam ter recebido intimidações
De acordo com os clientes, vítimas passaram a criar grupos e divulgar alertas nas redes sociais para evitar que outras pessoas enfrentassem os mesmos problemas.
Após as denúncias, algumas pessoas afirmaram ter recebido mensagens em tom intimidatório.
“Ela entrou em contato comigo pelo WhatsApp e disse que eu seria intimidada por chamá-la de golpista. Também falou que tinha meu endereço”, relatou uma das vítimas.
Polícia apura possível crime de estelionato
O delegado Eduardo Arcos explicou que a investigação busca identificar se existia intenção deliberada de vender pacotes sem entregar os serviços contratados.
“Quando conseguimos identificar que a pessoa vendeu um pacote inexistente para obter vantagem financeira, ela pode responder por estelionato”, afirmou.
Segundo o delegado, a suspeita já recebeu intimações para prestar depoimento, mas não compareceu à delegacia.
Além disso, a polícia identificou a abertura e o encerramento sucessivo de CNPJs em curto período.
“Foram três empresas abertas rapidamente. Esse comportamento pode indicar tentativa de dificultar o acesso ao histórico da empresa”, destacou.
Ainda conforme a investigação, a empresária continua divulgando novos pacotes turísticos nas redes sociais usando outro nome comercial.
Empresa cita reestruturação financeira
Em nota, a Nana Turismo informou que enfrenta um processo de reestruturação financeira e, por isso, reduziu parte das atividades.
A empresa também afirmou que apresentou um plano de contingência ao Procon da Serra e mantém diálogo com o Ministério Público.
Além disso, declarou que os sócios vêm sofrendo ameaças, situação que já estaria sob acompanhamento das autoridades policiais.
Por fim, a agência reforçou o compromisso de resolver as pendências existentes e regularizar os atendimentos aos clientes.











