As reações de Toffoli e Moraes, afastamento de relatoria, medidas policiais contra servidores, defesa pública contra críticas e resistências a um código de ética, reforçam a ideia de que o STF está mais preocupado em proteger seus membros do que em se alinhar às demandas de transparência e confiança da sociedade.
A frase “reações de Toffoli e Alexandre de Moraes expõem o fosso entre o STF e a sociedade” sugere uma leitura crítica da relação entre o Supremo Tribunal Federal e a opinião pública.
É evidente que hoje existe uma separação profunda, quase intransponível entre as duas partes. De um lado estão as falas ou atitudes dos ministros citados. Do outro, a percepção pública, a opinião popular e as expectativas democráticas.
As reações dos ministros não foram bem recebidas por parte da população.
Isso revela ou amplia uma sensação de desconexão: o tribunal estaria agindo ou se expressando de forma que não dialoga com o sentimento social.
A crítica implícita é que o STF, ao invés de se aproximar da sociedade, estaria reforçando uma imagem de instituição distante, elitizada ou autorreferente.
A frase não apenas descreve um episódio, mas sugere um problema estrutural: a dificuldade do STF em comunicar suas decisões e posições de modo que sejam compreendidas e legitimadas pela sociedade.
Pode refletir uma percepção de crise de confiança nas instituições, onde decisões judiciais são vistas como políticas ou desconectadas da realidade cotidiana.
Aqui estão alguns exemplos concretos das reações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes que têm sido interpretadas como sinais de distanciamento entre o STF e a sociedade:
- Caso Master e a saída de Toffoli
Toffoli foi obrigado a deixar a relatoria do caso Master após reunião interna no STF, em meio a suspeitas de conexões com o banco investigado.
Essa saída foi vista como um movimento de bastidores pouco transparente, reforçando a percepção de que ministros atuam em defesa própria ou de interesses próximos, em vez de representar imparcialidade institucional. - Ação de Alexandre de Moraes contra servidores
Em plena terça-feira de carnaval, Moraes determinou que a Polícia Federal fosse à casa de quatro servidores da Receita e do Serpro, acusados de acessar dados ligados ao caso.
A medida foi considerada por muitos como excessiva e autoritária, ampliando a crítica de que o STF age de forma punitiva contra quem expõe informações sensíveis sobre ministros. - Reações públicas e defesa pessoal
Ambos reagiram em sessões do STF contra pressões externas, inclusive diante de pedidos de impeachment e da discussão sobre um código de ética específico para ministros.
Toffoli foi criticado por viagens em jatinhos de advogados ligados ao banco e por relações com resorts associados ao Master. Moraes, por sua vez, foi acusado de usar o inquérito das fake news para perseguir auditores da Receita em causa própria. - Impacto na imagem institucional
Essas atitudes foram interpretadas como reações defensivas e corporativas, em vez de demonstrações de transparência e responsabilidade.
O resultado é um aumento da crise de credibilidade do STF, com a sociedade percebendo que ministros se protegem mutuamente e se distanciam das expectativas de imparcialidade.
Júlio César Cardoso
